Custo de vida volta a subir em BH em março com pressão de serviços e alimentos
Março registrou aceleração da inflação em Belo Horizonte nos dois indicadores calculados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). O custo de vida na capital mineira, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH), que abrange famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, subiu 0,47% no terceiro mês de 2026. Em fevereiro, o indicador havia recuado 0,07%.
Além do IPCA, a Fundação Ipead calcula a inflação sentida pelas famílias com renda de um a cinco salários mínimos, que também voltou a subir em março. O avanço do Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH) foi de 0,77%, após alta de 0,26% registrada em fevereiro. A inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 3,50% pelo IPCA-BH e a 3,29% pelo IPCR-BH.
Os serviços foram os grandes vilões de março e os itens que mais contribuíram para a alta do IPCA-BH. Conserto de automóvel (9,33%), gasolina comum (2,13%) e mão de obra (pedreiro, marceneiro e eletricista) (4,56%) foram os principais responsáveis pela pressão sobre os preços na capital mineira.
Alimentos e bebidas também contribuíram para o resultado. Todos os itens de alimentação subiram em março, com destaque para alimentos in natura (3,33%) e alimentos em elaboração primária (1,53%). O aumento no custo dos combustíveis verificado em março impacta o frete e gera uma cadeia de repasses que chega até o consumidor final.
O gerente de pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, destaca que o serviço de conserto de automóvel, gasolina e mão de obra, como a de pedreiros, marceneiros e eletricistas foram fatores para a elevação do IPCA-BH.
“Esses serviços não me surpreendem por terem gerado alta na inflação de BH. Hoje, quase todas as profissões estão difíceis de repor. O profissional que presta esse tipo de serviço não é encontrado com facilidade. Existe uma grande dificuldade, pois é uma mão de obra muito especializada, que demanda cuidado e apuramento”, observou.
Aluguéis e streamings
Na análise do IPCR-BH, as maiores quedas de preços em março foram: aluguel de vídeo/streaming (-14,69%), automóvel novo (-0,70%) e computador completo (-6,96%). Segundo Eduardo Antunes, a concorrência no setor de streaming, com muitos players no mercado, criou um ambiente mais favorável ao consumidor.
“As empresas criaram divisões dentro do próprio streaming para baratear o serviço. Há plataformas que exibem publicidade durante a programação, por exemplo, o que também ajuda a reduzir o preço”, comentou.
Já a compra de automóveis e computadores depende de um “fato novo” para se concretizar, segundo o especialista. “É um produto com peso relevante dentro do índice, então ele acaba aparecendo mesmo com variação baixa, 0,70% é quase nada, muito pouco, mas como impacta bastante no orçamento das pessoas, acaba aparecendo no índice também”, explicou Eduardo Antunes.
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