Operação mira esquema de investimentos falsos que movimentou mais de R$ 15 milhões em BH e Contagem
Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Belo Horizonte e Contagem, na manhã desta quarta-feira (5), durante uma operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra um esquema de investimentos falsos suspeito de movimentar mais de R$ 15 milhões. A investigação apura crimes de estelionato digital, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A ação foi realizada pela Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC) do MPMG em Varginha, no Sul de Minas, e contou com o apoio de dois promotores de Justiça, um delegado e 26 policiais militares. Em Belo Horizonte e Contagem, os agentes apreenderam celulares, computadores, notebooks e pen drives, que serão periciados. O MPMG também solicitou à Justiça a expedição de mandados de prisão contra os investigados, mas o pedido foi negado.
Como funcionava o crime?
De acordo com o MPMG, as investigações começaram após a denúncia de uma vítima de Varginha. Com o avanço das apurações, foi identificado que o grupo atuava em Belo Horizonte e Contagem.
O esquema começava com a criação de perfis falsos em redes sociais e avatares utilizados para atrair pessoas interessadas em investimentos com promessa de ganhos fáceis. Em seguida, as vítimas eram adicionadas a grupos de mensagens e orientadas a fazer depósitos em empresas que se apresentavam como gestoras do mercado financeiro, mas funcionavam apenas como fachada.

Segundo o MPMG, essas empresas eram registradas em nome de pessoas utilizadas como titulares formais, funcionavam por pouco tempo e adotavam nomes atrativos para simular atuação no mercado financeiro.
Para atrair novas vítimas, integrantes do grupo também se apresentavam como investidores bem-sucedidos. As vítimas eram orientadas por supostos mentores que utilizavam fotografias e identidades falsas.
Após receber os depósitos, os investigados realizavam sucessivas transferências dos recursos e encerravam as empresas. Quando tentavam sacar o dinheiro, as vítimas descobriam que haviam sido enganadas. Em seguida, os suspeitos criavam novos perfis, novas empresas e reiniciavam o esquema.
Desconfie de ganhos fáceis, diz MP

“Os investigados ofereciam iscas para cooptar pessoas interessadas em fazer investimentos. A engenharia criminosa usava uma série de mecanismos tecnológicos para ganhar a confiança de que aquele investimento poderia efetivamente render frutos às vítimas. É importante alertar a população para não acreditar em ganhos fáceis e investimentos que prometem retornos fora do padrão do mercado”, afirmou o coordenador regional de Defesa da Ordem Econômica e Tributária de Varginha, Daniel Ribeiro Costa.
Segundo o MPMG, o número de vítimas ainda é desconhecido e os valores totais movimentados continuam sendo apurados. Até o momento, porém, as empresas já identificadas movimentaram mais de R$ 15 milhões. Em uma delas, que funcionou por cerca de dois meses, os depósitos somaram R$ 5 milhões.
“Se a criminalidade se desenvolveu a ponto de criar um esquema criminoso tão bem feito, o Estado, da mesma maneira, tem que se dedicar a criar estruturas para enfrentar esses crimes, especialmente agora nos meios virtuais. Também é fundamental que o cidadão compreenda como esses crimes são praticados para não cair nesses golpes”, encerrou o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Varginha, Igor Serrano Silva.
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