Água de qualidade é ativo estratégico
As mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma preocupação ambiental para se consolidarem como um desafio econômico. Ondas de calor, secas prolongadas e eventos extremos comprometem a disponibilidade e a qualidade da água, aumentam os riscos à saúde da população e ameaçam atividades fundamentais para Minas Gerais, como o turismo de natureza, a pesca, o abastecimento público e diversos setores produtivos.
A relação entre clima e economia é cada vez mais evidente. O turismo, por exemplo, movimenta milhares de empregos e negócios em Minas Gerais, impulsionado por cachoeiras, lagos, represas e unidades de conservação que atraem visitantes durante todo o ano. Preservar esses ambientes significa proteger uma importante cadeia econômica, além de fortalecer a imagem do Estado como destino sustentável.
Por isso, enfrentar esse desafio exige mais do que ações emergenciais. É necessário ampliar os investimentos em saneamento, impedir o lançamento de esgoto nos corpos hídricos, recuperar nascentes e matas ciliares, fortalecer o monitoramento da qualidade da água e ampliar a capacidade de resposta dos órgãos públicos. Educação ambiental, inovação e gestão integrada dos recursos hídricos também precisam ocupar lugar central nessa agenda.
Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas, proteger a qualidade da água tornou-se uma estratégia de adaptação climática. Mais do que preservar ecossistemas, monitorar lagos e lagoas significa proteger a saúde da população, fortalecer o turismo sustentável e reduzir impactos econômicos decorrentes da degradação dos recursos hídricos.
Essa é uma agenda que só avançará por meio de uma coalizão entre governos, empresas, universidades, organizações da sociedade civil e cidadãos. Ao poder público cabe ampliar investimentos em saneamento, fiscalização e monitoramento; ao setor privado, incorporar a segurança hídrica às estratégias de gestão e investir em inovação e uso eficiente da água; ao terceiro setor e às instituições de pesquisa, mobilizar comunidades, produzir conhecimento e promover educação ambiental.
Quando esses atores atuam de forma integrada, a água deixa de ser apenas um recurso natural e passa a ser reconhecida como um ativo estratégico para a competitividade, a saúde pública e o desenvolvimento sustentável de Minas Gerais. Proteger as águas é, acima de tudo, proteger o futuro econômico e social do Estado.
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