Fiemg investe R$ 20 milhões e cria ‘Cidade do Conhecimento’ em BH
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) prepara para novembro a inauguração da primeira etapa da Cidade do Conhecimento, projeto que vai ocupar quatro dos dez andares do prédio adquirido pela entidade onde funcionava a antiga sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), na rua Itambé, no bairro Floresta, região Leste de Belo Horizonte. A nova estrutura nasce com a proposta de ir além de uma universidade corporativa tradicional, reunindo formação, inovação, tecnologia e experiências presenciais e digitais. As obras foram iniciadas há um mês.
De acordo com a superintendente de defesa de interesses e gestão da entidade, Érika Morreale, a Fiemg avalia em cerca de R$ 20 milhões os investimentos nesta primeira etapa, incluindo equipamentos e tecnologia. O valor se soma aos R$ 27,9 milhões desembolsados pela federação para a aquisição do imóvel, arrematado em leilão.
“Pretendemos inaugurar em novembro esse conceito denominado Fiemg Moove e que vai além de uma universidade corporativa”, afirmou Érika Morreale, em entrevista ao Diário do Comércio. Segundo ela, o conceito foi inspirado em modelos de universidades corporativas, em metodologias de ensino da Nasa e em experiências internacionais.
A executiva ressalta que a proposta não é criar uma faculdade ou uma universidade convencional. “É uma Cidade do Conhecimento”, observou. O projeto será estruturado como um ecossistema de educação corporativa e funcionará como um hub de soluções, com ações presenciais e virtuais.
A primeira etapa do projeto ocupará quatro dos dez andares do edifício principal. A previsão é que o espaço esteja pronto, com equipamentos, instalações e arquitetura concluídos, para a inauguração em meados de novembro.
Entre os destaques está um andar inteiro dedicado a uma sala imersiva, inspirada no conceito do TeamLab, do Japão. O ambiente terá recursos de projeção de imagens, som, interação e outras tecnologias para criar experiências de aprendizagem e exposições.
A intenção é utilizar o espaço para apresentar, de forma interativa, conteúdos relacionados à indústria e a grandes eventos. “Estamos criando um espaço bem interativo, bem interessante”, disse a superintendente.
Segundo ela, a estrutura poderá receber exposições que contem a história da indústria e de segmentos relevantes, por exemplo, além de experiências relacionadas aos eventos promovidos pelo Sistema Fiemg.
O projeto também terá auditórios e espaços para interação presencial. Um dos formatos previstos é o Teatro Arena, inspirado em modelos utilizados por instituições internacionais, como Harvard.
Capacitação para 11 mil colaboradores e para a indústria
Inicialmente concebida para atender o público interno da entidade, a Cidade do Conhecimento terá como um dos principais objetivos atender os colaboradores do Sistema Fiemg. A proposta, porém, é ampliar o acesso para profissionais das indústrias mineiras e, em determinadas iniciativas, para a sociedade. “Esse projeto nasceu voltado para os nossos colaboradores, para o público interno, são cerca de 11 mil pessoas, mas também será voltado para a sociedade”, destacou a superintendente.
A formação será organizada a partir das necessidades profissionais e das carreiras dos trabalhadores. A ideia é oferecer trilhas de aprendizagem que permitam identificar lacunas de competências e indicar cursos e conteúdos para o desenvolvimento profissional.
Um dos focos será a requalificação dos trabalhadores diante das transformações provocadas pela inteligência artificial. “A gente vai dar muita oportunidade. São muitos postos de trabalho, muitas vagas”, destacou. Ela acrescenta que o trabalhador que tem interesse em manter o emprego, em melhorar de vida, bem como o que busca novas oportunidades, pode conseguir o seu objetivo por meio da iniciativa criada pela Fiemg.
Além da formação técnica, o projeto prevê conteúdos relacionados a saúde e segurança, incluindo temas obrigatórios e normas regulamentadoras, saúde mental e conteúdos livres direcionados às carreiras. Também estão previstas parcerias para ampliar o portfólio de conteúdos e mentorias.
Cinco eixos de atuação
O primeiro é o conhecimento organizacional, com conteúdos relacionados à gestão, comportamento e conhecimento especializado. O segundo envolve cultura, política e cidadania, incluindo temas ligados a princípios, valores, ética e atuação das organizações.
O terceiro eixo é a requalificação, especialmente diante das mudanças no mercado de trabalho e do avanço da inteligência artificial. O quarto está relacionado à saúde e segurança integrada, abrangendo saúde mental, segurança do trabalho, normas regulamentadoras e outros conteúdos obrigatórios.
O quinto eixo contempla temas livres e direcionamento de carreira. “Teremos uma parceria com UOL EdTech que vem com uma bagagem bem bacana”, conta.

A estrutura também contará com produção de conteúdo próprio e curadoria interna. Segundo a gestora, a Fiemg pretende utilizar o conhecimento de seus próprios especialistas para alimentar a plataforma. “Somos uma casa de especialistas e de altíssimo nível que já produz conteúdo. Vamos importar isso para essa questão do conhecimento”, afirmou.
Plataforma digital e espaço físico
A Cidade do Conhecimento não ficará restrita ao espaço físico. O projeto prevê uma plataforma digital, conteúdos para dispositivos móveis, experiências gamificadas, certificação, acompanhamento de desempenho, comunidades de aprendizagem e mentorias on-line.
A proposta é combinar tecnologia com atividades presenciais. “Não é só uma ferramenta virtual. Então haverá o espaço físico para interação, para o entendimento complementar”, explicou a superintendente.
O edifício principal, adquirido pela Fiemg, tem mais de 7 mil metros quadrados distribuídos em dez andares. O imóvel completo, considerando também um anexo e áreas externas, soma cerca de 14 mil metros quadrados.
O anexo terá outra finalidade: será transformado em um espaço de eventos de grande porte, ampliando a capacidade do empreendimento para receber atividades e contribuindo para movimentar economicamente a região do bairro Floresta.
A inauguração de novembro, portanto, não representará a conclusão de todo o empreendimento, mas o início da operação da primeira etapa da Cidade do Conhecimento. “A gente vai inaugurar o espaço Fiemg Moove. Não vamos inaugurar o prédio como um todo”, explicou Érika Morreale.
Com a combinação de educação corporativa, tecnologia, eventos e experiências imersivas, a Fiemg pretende transformar o antigo endereço da Cemig em um novo polo de conhecimento e formação voltado às necessidades da indústria e às mudanças no mundo do trabalho.
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