MRV&Co divulga prejuízo de R$ 626,6 milhões no 2° trimestre puxado por perdas nos EUA

Apesar das perdas, as ações da incorporadora subiam 14,52% nesta tarde, cotadas a R$ 4,82
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MRV&Co divulga prejuízo de R$ 626,6 milhões no 2° trimestre puxado por perdas nos EUA
Foto: MRV&Co/ Divulgação

A MRV&Co anunciou prejuízo líquido de R$ 626,6 milhões no segundo trimestre de 2026, depois de reconhecer que ativos da Resia, subsidiária americana que está em processo de desmobilização, valem menos do que o valor de registro no balanço.

O chamado impairment foi de US$ 110 milhões (R$ 570 milhões), segundo resultados divulgados na noite de quarta-feira (12).

Excluindo os impairments dos ativos da Resia e outros ajustes, a companhia teve lucro líquido ajustado de R$ 73,8 milhões.

Apesar das perdas, as ações da incorporadora subiam 14,52% nesta tarde, cotadas a R$ 4,82.

O conglomerado imobiliário registrou receita operacional líquida de quase R$ 3 bilhões no trimestre, em linha com a média de projeção de analistas, segundo dados da LSEG.

A companhia afirmou que as transações de venda de ativos já anunciadas devem reduzir a dívida líquida consolidada para cerca de R$ 4,6 bilhões, em comparação com a dívida de R$ 5,9 bilhões registrada no segundo trimestre.

A estratégia da MRV&Co é vender ativos da Resia para reduzir o endividamento e concentrar o grupo na incorporação imobiliária no Brasil. Segundo a empresa, a operação está cada vez mais concentrada no Minha Casa Minha Vida, em especial na faixa 2 do programa, que atende famílias com renda bruta mensal de R$ 2.850,01 a R$ 5.000 (em áreas urbanas).

A empresa afirma que, depois da liquidação dos empreendimentos restantes da Resia e da desalavancagem correspondente, não terá mais operação nos Estados Unidos.

Entre os últimos ativos vendidos está o projeto Memorial, em Atlanta, além de cinco terrenos. O conjunto será negociado por US$ 170 milhões. A companhia decidiu vender o empreendimento antes de sua estabilização e os terrenos abaixo do custo contábil, sem recuperar juros capitalizados e despesas de projeto. O próximo a ser vendido deve ser o Golden Glades, na Florida, ainda neste ano. As operações devem reduzir em US$ 141 milhões o endividamento e geraram impairment de US$ 61 milhões no segundo trimestre.

A saída americana faz parte de um processo de desalavancagem que começou antes. Desde dezembro de 2024, a MRV&Co já vendeu US$ 380 milhões em ativos, e as vendas da Resia anunciadas neste ano somam US$ 401 milhões. A companhia calcula que as transações anunciadas representarão uma redução de US$ 290 milhões na dívida líquida da operação americana.

A Luggo, braço de locação residencial do grupo, também está sendo enxugada. A empresa assinou um memorando para vender três ativos residenciais por R$ 166 milhões e, após a operação, deverá permanecer apenas na administração de ativos, sem empreendimentos próprios prontos ou em construção.

A MRV também está tentando diminuir a quantidade de capital imobilizado na aquisição de terrenos.

A companhia prevê reduzir em R$ 200 milhões, neste ano, o estoque de terrenos pagos. Ao mesmo tempo, passou a privilegiar as permutas, nas quais o terreno é adquirido sem desembolso imediato de caixa. No segundo trimestre, 93% do landbank adquirido veio desse modelo, ante 64% em 2024.

A estratégia é reduzir a exposição a negócios que exigem capital e, ao mesmo tempo, fortalecer a operação que continua sendo o centro do grupo no Brasil.

A MRV Incorporação, que reúne a operação de incorporação e a Sensia, registrou margem bruta de 31,2% no segundo trimestre, o maior nível em sete anos. A empresa afirma que as novas vendas já apresentam margem próxima de 35% e que a margem reportada deve convergir para esse patamar ao longo de 2026 e 2027.

A melhora não está apenas na margem. A receita operacional líquida da MRV Incorporação foi de R$ 2,75 bilhões no trimestre, alta de 8,9% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido ajustado atribuível aos acionistas chegou a R$ 154,7 milhões, ante R$ 120,7 milhões um ano antes. A geração de caixa da operação foi de R$ 148,7 milhões no trimestre e de R$ 266 milhões no primeiro semestre.

As vendas líquidas da incorporação brasileira também avançaram. Foram R$ 2,75 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,4% em relação a um ano antes e de 11,3% sobre o primeiro trimestre. Em unidades, foram 10.148 vendas, alta de 2,3% na comparação anual e de 11% ante os três meses anteriores.

O problema é que a melhora operacional ainda precisa se transformar em uma geração de caixa mais forte. A companhia produziu 10.922 unidades no trimestre, enquanto os repasses ficaram em 9.803, uma diferença de 1.119 apartamentos. A MRV aponta a redução desse intervalo como um dos principais gatilhos para acelerar a geração de caixa.

No primeiro semestre, a geração de caixa ajustada consolidada foi de R$ 467 milhões, ante geração negativa de R$ 243,4 milhões no mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado tanto pelas vendas de ativos da Resia quanto pela melhora da operação de incorporação brasileira.

Conteúdo distribuído por Folhapress

Ana Paula Branco
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Ana Paula Branco

Agência Folhapress

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