‘Todo dia acho que vou ser demitido’: funcionários do Grupo Casas Bahia vivem clima de apreensão em BH
A reportagem do Diário do Comércio esteve em cinco lojas do Grupo Casas Bahia, no Centro de Belo Horizonte, nesta quarta-feira (19), e encontrou unidades vazias e um clima de apreensão entre os trabalhadores. Mesmo com o anonimato garantido, poucos funcionários quiseram comentar sobre o temor de possíveis demissões.
O sentimento de medo e insegurança ocorre após a holding protocolar, no último domingo (16), um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo, declarando uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
Entre os funcionários ouvidos, a falta de informações sobre os próximos passos da companhia também é motivo de preocupação. Um deles, que pediu para não ser identificado por segurança, afirmou que a direção ainda não procurou os colaboradores para conversar sobre o atual cenário.
“Estamos apreensivos. Sou pai de família e todo dia acho que vou ser demitido”, conta o colaborador que trabalha no mercado varejista há mais de 30 anos.
Decisão da Justiça do Trabalho representa alívio momentâneo
O funcionário também revela que ficou surpreso com o fechamento de lojas importantes para a marca, como uma operação no Minas Shopping, na região Nordeste da Capital. “Se ela que era a que mais vendia, fechou. imagina as outras”, conta. Ele calcula que, pelo menos, 30 colegas tenham sido desligados somente com o encerramento das atividades no mall.
Ainda segundo o colaborador, a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) de suspender, nesta quarta-feira (19), as demissões coletivas promovidas pelo Grupo Casas Bahia, chega como um alívio momentâneo. “Eu espero que a situação melhore, porque é triste ver muitos amigos e colegas perderem o emprego”, destaca.
Vendas físicas em queda
O trabalhador ouvido também relatou quedas drásticas nas vendas nos últimos meses e acredita que o valor do aluguel dos imóveis das lojas pode ter contribuído para a recessão da empresa. Ele também atrela o atual cenário ao crescimento das compras on-line, que tem afastado os clientes das lojas físicas.
“Só hoje eu fiz quatro vendas on-line e nenhuma física”, conta ele que tem uma credencial no ambiente digital que o autoriza a vender não só para o Grupo Casas Bahia, como para outras redes varejistas do mercado.
Outras duas colaboradoras de uma loja da holding no Centro de Belo Horizonte também afirmam que as vendas deste mês estão abaixo do patamar esperado e, assim como o colega anteriormente ouvido, acreditam que o fechamento das lojas de shopping é fruto dos altos preços de aluguel dos imóveis.
“Apesar disso, estamos firmes, trabalhando, no nosso batente do dia a dia. A nossa expectativa é que melhore. Chegou para nós que o que já tinha que fechar, fechou”, revela.
Recuperação judicial envolve dez empresas
O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia engloba dez empresas da holding, entre elas a dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.
O grupo informa no pedido a demissão de cerca de 3 mil funcionários, entre os 30,1 mil colaboradores existentes em todo o País, e o fechamento de quase 300 lojas. A Casas Bahia possui, no Brasil, mais de 700 lojas físicas e o Ponto Frio mais de 65.
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O Diário do Comércio tenta, desde a última segunda-feira (17), um contato com o Grupo Casas Bahia para apurar quantas lojas serão fechadas na capital mineira e RMBH nos próximos dias, além dos desligamentos previstos, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto.
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