Clima favorável eleva produção de cana-de-açúcar em Minas Gerais
O clima mais favorável ao desenvolvimento da safra 2026/27 de cana-de-açúcar permitiu o crescimento do volume a ser colhido em Minas Gerais, que é o segundo maior produtor do País. Conforme o 2º Levantamento da Safra de Cana-de-Açúcar, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Estado será responsável pela produção de 82,5 milhões de toneladas de cana, volume 7% maior que o registrado na safra anterior. Este ano, a alta é resultado do aumento da produtividade, 5%, e também da área, 2%.
No Brasil, a produção de cana-de-açúcar na safra 2026/27 está estimada em 705,2 milhões de toneladas. O volume, se confirmado, representa um crescimento de 4,7% em relação ao ciclo 2025/26. O gerente de levantamento e avaliação de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, atribui o bom desempenho ao clima mais favorável que o registrado no ciclo anterior.
“Ao longo do ciclo produtivo, as condições climáticas foram positivas, com índices pluviométricos mais normais. Este cenário vem sendo observado desde o final da safra passada, o que permitiu o crescimento da safra. A expectativa é que a colheita se estenda até dezembro”, confirmou.
Conforme os dados da Conab, na safra 2026/27, a produtividade média das lavouras mineiras tende a alcançar 78 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, um aumento de 5% frente à temporada anterior. A área produtiva, 1,05 milhão de hectares, cresceu 2%.
O presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar em Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos, explicou que as condições climáticas foram favoráveis e o volume a ser colhido no Estado pode até mesmo superar o estimado pela Conab.
“A gente está com uma safra de recuperação da produtividade da cana-de-açúcar refletida no aumento da produção. É um aumento considerável. Minas Gerais, por exemplo, a gente colheu no ano passado 74 milhões de toneladas e, neste ano, de acordo com a Conab, vai ficar em 82,5 milhões. Na minha visão, a safra pode passar de 83 milhões. A cana-de-açúcar ainda está muito bonita no campo. Esse período do ano, onde a gente já estaria sofrendo com seca, a gente está vendo o material ainda muito verde em função das chuvas que nós tivemos, principalmente, em maio, junho e um pouquinho em julho, e isso ajudou muito e está favorecendo, inclusive, a rebrota da cana”.
Produção de açúcar fica estável enquanto etanol cresce
A produção de açúcar ficará praticamente estável, com pequena variação negativa de 0,4% ou 25 mil toneladas a menos em Minas Gerais, podendo alcançar 5,56 milhões de toneladas. Conforme a Conab, o mercado internacional do açúcar, marcado por preços enfraquecidos, apresentou aquecimento nas últimas semanas em razão da expectativa de redução da oferta pelas economias produtoras do adoçante. A elevação dos preços da commodity pode estimular o direcionamento nas unidades sucroenergéticas para a produção do adoçante.
Já a produção de etanol tende a crescer em Minas Gerais. Os dados da Conab apontam um crescimento de 27,5% na fabricação do etanol total, podendo chegar a 3,4 bilhões de litros.
O maior crescimento é esperado na fabricação do etanol hidratado. A previsão é de um aumento de 37,2% no volume de etanol hidratado, chegando, assim, a 2,28 bilhões de litros. Alta também na produção do etanol anidro que deve chegar a 1,17 bilhão de litros, volume 12% maior que o fabricado em 2025/26.
De acordo com a Conab, a redução das cotações internacionais do açúcar levou parte das unidades a reavaliar o mix de produção, limitando o açúcar ao cumprimento de contratos preestabelecidos e direcionando maior volume de cana-de-açúcar à fabricação de etanol.
Os números atuais apontam leve redução da produção de açúcar e aumento da de etanol em relação ao ciclo anterior. Além da flexibilidade industrial, a liquidez do biocombustível permite geração mais rápida de caixa durante a safra.
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