Cafés de origem buscam ampliar reconhecimento no Brasil e no exterior
Mais do que volume, a produção mineira e brasileira de café tem evoluído, cada vez mais, em qualidade e também diferenciação dos grãos na origem, com as regiões buscando e conquistando Indicações Geográficas (IGs). O selo, seja na categoria Indicação de Procedência (IP) ou Denominação de Origem (DO), é uma oportunidade de valorizar o café. No Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, o Instituto Brasis Cafés de Origem reforça a estratégia de consolidar no País e no mercado externo a categoria de cafés de origem, ampliando o reconhecimento dos produtos vinculados às regiões produtoras.
A entidade trabalha para integrar as regiões, fortalecer a governança, ampliar a rastreabilidade dos produtos e levar os cafés para os mercados nacional e internacional. No País, hoje, 25 regiões são reconhecidas no âmbito das indicações geográficas de café, sendo que Minas Gerais, maior produtor nacional do grão, conta com sete regiões, uma dividida com municípios do Espírito Santo.
Das 25 regiões com Indicação Geográfica (IG), tanto na categoria Indicação de Procedência (IP) como na Denominação de Origem (DO), 17 regiões já possuem protocolos para a selagem dos cafés e integram o Instituto Brasis Cafés de Origem, enquanto outras sete estão em processo de adesão e uma em consolidação da governança para também ingressar no Instituto.
O presidente do Instituto Brasis Cafés de Origem e pertencente à Região Sudoeste de Minas, Fernando Barbosa, explica que a proposta é mostrar que, além da comercialização como commodity e da categoria de cafés especiais, existe uma produção associada à identidade geográfica, com origem definida, regras de produção e rastreabilidade. O Instituto busca também fazer com que essa categoria seja reconhecida pelo mercado e pelos consumidores.

“Nós somos uma categoria de cafés de origem, quer dizer, uma região demarcada que segue um caderno de especificação técnica. Hoje a categoria ainda não é reconhecida no mercado. Nós queremos esse reconhecimento como a categoria cafés de origem”, explica.
Criado em 2024, o Instituto surgiu a partir da iniciativa das regiões produtoras com IG de consolidar uma atuação conjunta. A proposta incluiu a criação de uma plataforma de rastreabilidade capaz de acompanhar os cafés desde a produção até o consumidor final. Hoje, 25 regiões são reconhecidas no âmbito das indicações geográficas de café e, nesse conjunto, são cerca de 500 municípios com alguma indicação geográfica relacionada ao grão.
O Instituto atua como um canal unificado para as regiões, aproximando localidades que estão em diferentes estágios de organização e promovendo os cafés de origem. A entidade promove capacitações e mentorias para fortalecer a governança e nivelar os processos entre as regiões que estão iniciando a estruturação e aquelas que já possuem uma trajetória nas indicações geográficas.
“O Instituto veio como um guarda-chuva. O primeiro objetivo é proteger as regiões para que, vamos supor, uma possível entrada de outro país com pedido de registro da marca, o instituto vai atuar e defender. Outra linha é a promoção, que é justamente pegar esses cafés das regiões e levar para feiras internacionais e nacionais. A rastreabilidade é outro eixo do trabalho. Cada lote que recebe o selo possui um código específico, que reúne informações sobre a propriedade, o talhão, a localização e as características do café”.
Rastreabilidade fortalece cafés de origem
Uma das ferramentas essenciais para promover os cafés de origem é a plataforma “Origem Controlada Café”, que foi desenvolvida pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com o Sebrae, o Instituto CNA e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Conforme as informações da ABDI, até julho, a plataforma já reunia 18 IGs de café reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e ultrapassou a marca de 1 milhão de pacotes rastreados. A iniciativa já contabiliza 1,32 milhão de pacotes certificados e se consolida como uma das principais ferramentas de controle, autenticidade e valorização das origens do café brasileiro.
Desenvolvida para fortalecer a governança das regiões produtoras e ampliar a transparência ao consumidor, a plataforma conecta atualmente 3.569 produtores e 4.408 propriedades rurais distribuídas em seis estados brasileiros.
“Na categoria cafés de origem, o que a gente busca é a valorização para o produtor não ficar apenas na commodity e enfrentar as oscilações de preços. É lógico que nem todo o café é vendido como café de origem. Mas, que nessa parte, ele consiga obter um valor agregado. A gente quer que todas as regiões com IG possam ter a mesma oportunidade”, disse.
Ainda segundo Fernando Barbosa, os cafés comercializados com marca e como cafés de origem podem alcançar valores superiores aos praticados no mercado de commodity. Ele cita casos de produtos vendidos acima de R$ 80 o quilo, o equivalente a mais de R$ 5,3 mil por saca de 60 quilos, enquanto o café comercializado como commodity está na faixa de R$ 1,4 mil a R$ 1,5 mil por saca.
“O café especial já possui uma diferenciação de qualidade, mas o café de origem permite conhecer a propriedade, a região, o processo de produção e a trajetória do lote por meio da rastreabilidade. Com essas informações, o consumidor passa a ter transparência sobre o produto que está adquirindo e paga mais por um café que, além da qualidade, apresenta origem definida, segue um caderno de especificação técnica e possui uma história vinculada à região produtora”.
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