Minas supera 10 bilhões de litros de leite e mantém liderança nacional

Minas Gerais bate recorde na produção de leite e mantém liderança nacional, com avanço da produtividade e destaque para outros segmentos da pecuária
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Minas supera 10 bilhões de litros de leite e mantém liderança nacional
Minas Gerais respondeu por 21% do VBP de produtos da pecuária e aquicultura no Brasil em 2025 | Foto: Divulgação Embrapa

O uso de tecnologias combinadas com a gestão e a eficiência nas fazendas fizeram com que Minas Gerais, em 2025, ultrapassasse a marca histórica e produzisse 10,1 bilhões de litros de leite no ano, mantendo a condição de maior produtor do País e respondendo por 27,5% da produção nacional. Com a marca, houve um avanço de 2,9% na produção mineira de leite, enquanto no Brasil o aumento chegou a 2,7%. O Estado se destacou com quatro municípios entre os dez maiores produtores de leite do País, tendo Patos de Minas com o terceiro maior volume produzido, seguido por Patrocínio (4º), Lagoa Formosa (5º) e Coromandel (6º).

Conforme os dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado robusto na produção leiteira fez com que Minas Gerais mantivesse a liderança no Valor Bruto da Produção (VBP) de produtos da pecuária e aquicultura em 2025, atingindo R$ 29,7 bilhões, 21% do valor nacional, que foi de R$ 141,1 bilhões. Contribuíram também para o resultado, o bom desempenho em suínos, aves e aquicultura.

Na produção de leite, depois de Castro e Carambeí, no Paraná, aparecem Patos de Minas, com 249,2 milhões de litros; Patrocínio, 178,7 milhões; Lagoa Formosa, 161,1 milhões; e Coromandel, 150,3 milhões. A gerente do Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, explica que os resultados de Minas Gerais foram positivos e, no caso do leite, conquistados, principalmente pelos ganhos em produtividade.

“Pela primeira vez, ultrapassamos a marca dos 10 bilhões de litros de leite e também temos um dado expressivo que o crescimento veio da produtividade, o que é muito interessante. Se a gente comparar com os últimos 10 anos, Minas dobrou a produtividade por animal. Então, a gente mesmo reduzindo aí em 45% o número de vacas ordenhadas no período, a gente cresceu a produção em 10%”, aponta.

Produtividade sustenta avanço da produção

Conforme o IBGE, apesar do aumento da produção, em 2025, o número de vacas ordenhadas foi de 3 milhões de cabeças e registrou redução de 1,4%, menor número desde que a pesquisa foi iniciada. O número evidencia o aumento da produtividade e da eficiência dos produtores mineiros. Em 2025, a produtividade média do Estado foi de 3.398 litros de leite por vaca ao ano, 4,42% acima da média do ano anterior. Já o preço médio pago ao produtor se manteve estável em relação a 2024, registrando o valor de R$ 2,49 por litro.

“Hoje a eficiência é pré-requisito para o pecuarista permanecer na atividade leiteira. Com toda a questão de oscilação de preços e de custo de produção que o setor vive, se a propriedade não tiver um planejamento produtivo e econômico, é impossível permanecer na atividade leiteira. Quem está ficando na atividade são produtores extremamente profissionais, independentemente da sua escala de produção”, reforça Mariana Simões.

Ainda conforme ela, na pecuária leiteira de Minas Gerais, a tecnologia está presente em todos os âmbitos da fazenda e de forma variada, conforme a demanda de cada unidade produtiva. “Hoje a gente tem, por exemplo, tecnologias reprodutivas que permitem o produtor fazer o melhoramento genético do rebanho, mesmo ele tendo poucos animais. Então, quando a gente fala de tecnologia não é apenas estrutura física, são ferramentas adotadas no próprio manejo dos animais, como na parte de reprodução, nutrição e sanidade animal”, acrescenta.

Girolando amplia eficiência nos sistemas produtivos

Para a produtora, criadora e diretora da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando), Tatiane Tetzner, o gado Girolando contribui muito para a produção em Minas Gerais, estado que detém o maior número de associados e o maior rebanho da raça. Ela explica que a produção em Minas Gerais acontece em diferentes sistemas de produção, desde sistemas simples, extensivos, em pastejo e até sistemas intensivos como compost barn, free stall, onde os animais têm todo um ambiente controlado e uma melhor suplementação.

“Essas diferentes formas de produção de leite em Minas Gerais levam a uma alta produção em todas as bacias leiteiras. O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba são muito importantes para a produção. O Girolando está presente nas propriedades desde os pequenos, médios até os grandes produtores de leite. O Girolando tem as frações raciais versáteis para se adequar a todas as formas de sistemas de produção. Então, é a raça nacional que mais produz leite no nosso País e principalmente em Minas Gerais”, explana a diretora da Girolando.

Minas se destaca nos rebanhos e na aquicultura

Além da produção de leite, Minas Gerais também é destaque no rebanho bovino, composto por 22,1 milhões de cabeças em 2025, número 0,17% maior frente ao ano anterior. O Estado se manteve como o quarto maior rebanho bovino do País. Atrás do Mato Grosso, que manteve a liderança, com rebanho de 31,6 milhões de cabeças, e seguido pelo Pará, com 25,6 milhões, e por Goiás, com 22,5 milhões de cabeças.

Entre os rebanhos de grande porte, Minas Gerais também se destaca com o maior rebanho de equinos do País (721,42 mil cabeças em 2025), mesmo com o decréscimo de 7,01%. Em 2025, segundo o IBGE, Minas Gerais manteve a quarta posição no rebanho de suínos (5,8 milhões de cabeças), atrás dos estados da região Sul. O município de Uberlândia, no Triângulo, se manteve como o segundo maior rebanho nacional, com 588 mil cabeças. O total de suínos no Estado apresentou incremento de 1,62%, frente a 2024.

Na avicultura, a produção de ovos de galinha subiu 7,55% em Minas Gerais, assim como o efetivo de galinhas (8,08%). O Estado manteve a 2ª colocação nacional na produção de ovos, com produção de 553,2 milhões de dúzias, e a 3ª posição no efetivo de galinhas (26,9 milhões de cabeças).

Minas Gerais se manteve como o maior efetivo (2,99 milhões de cabeças) e a maior produção de ovos de codorna (63,3 milhões de dúzias) do País, apesar do acréscimo de apenas 0,03% no efetivo existente no final do ano de 2025.

O IBGE destaca ainda que, em 2025, Minas passou da 3ª para a 5ª colocação no ranking nacional de produção de peixes da aquicultura. O acréscimo de 5,91% na produção em relação a 2024, elevou a produção para 64,1 mil toneladas. O crescimento veio, principalmente, da produção de tilápia em Morada Nova de Minas (34 mil toneladas em 2025). Graças a essa produção de tilápia, Morada Nova de Minas continua sendo o município maior produtor de peixes da aquicultura do País.

“Minas foi muito bem e a gente tem uma diversidade muito grande, somos um dos estados com a maior diversidade produtiva. Essa aptidão para diversos produtos, tanto na cadeia animal quanto na vegetal, nos permite trabalhar com uma diversificação de renda em muitas propriedades também e é o que a pesquisa mostrou para a gente”, finaliza a gerente do Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.


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