Demanda da indústria de fundição em Minas Gerais recua cerca de 40%

O setor atravessa um período difícil, com impactos, sobretudo, de importações e dos juros altos
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Demanda da indústria de fundição em Minas Gerais recua cerca de 40%
Indústria da fundição enfrenta dificuldade para realizar investimentos em função dos juros elevados | Foto: Reprodução Adobe Stock

A demanda da indústria mineira de fundição está cerca de 40% menor neste ano em relação a 2025, segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifumg), Bráulio Campos. O setor em todo o País atravessa um período difícil, com impactos, sobretudo, de importações e dos juros altos.

“O mercado está muito ruim. É de assustar”, afirma. De acordo com ele, o cenário é negativo para as fundições tanto no que diz respeito às vendas internas, que respondem pela maior parte dos negócios, quanto às externas, que atualmente representam menos de 10%.

Especificamente sobre o mercado doméstico, Campos ressalta que o Brasil tem recebido grande volume de peças e produtos do exterior, principalmente da China, o que enfraquece a indústria nacional, incluindo a de fundição, fornecedora de diversos setores industriais, como o automotivo e o agrícola. “Tudo leva fundidos e uma coisa puxa a outra”, diz.

Como exemplo, o presidente do Sifumg cita que as fabricantes de tratores estão perdendo o mercado interno de modelos pequenos para os importados da China. Também menciona a entrada de carros chineses, com reflexo sobre a produção local.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam que a produção de veículos cresceu 8,5% de janeiro a agosto deste ano, ante igual período de 2025. No entanto, dois terços dessa expansão provêm de veículos CKD/SKD, montados no País a partir de kits importados, o que ilustra o movimento descrito por ele.

Outro ponto negativo para a indústria de fundição, conforme Campos, é o atual nível da taxa de juros, que impede investimentos de clientes e das próprias empresas. Para ele, os recentes cortes na Selic praticamente não mudaram o patamar dos juros no Brasil. “O custo do dinheiro ainda é muito alto e não tem perspectiva de baixar”, avalia.

Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) fixou a Selic em 13,75% ao ano, após reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual (p.p.) pela quinta vez seguida. Restam duas reuniões do colegiado em 2026, em novembro e dezembro, mas a projeção do mercado financeiro, de acordo com o Boletim Focus da segunda-feira (28), é de apenas mais um corte de 0,25 p.p., para 13,50%.

“Ninguém está investindo mais. Você não vê ninguém dizendo: ‘Ah, vou montar uma indústria, vou ampliar’. Está todo mundo ocioso”, reitera o presidente do Sifumg, acrescentando que o único investimento em andamento hoje em fundições é a aquisição de equipamentos modernos para substituir mão de obra.

Segundo Campos, o custo da mão de obra está alto e leva as empresas a trocar pessoas por máquinas. Ele exemplifica que uma única máquina pode substituir 20 ou 30 funcionários, com retorno do investimento em três ou quatro anos.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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