Com faturamento de R$ 75 milhões por ano, Unimed Aeromédica chega aos 30 anos em Minas
Cinquenta voos por mês não pagariam a conta de uma empresa de aviação médica. Na Unimed Aeromédica, que completa 30 anos em 2026, eles nem precisam. A companhia mineira fatura R$ 75 milhões por ano com uma lógica parecida com a de um seguro: as operadoras de saúde pagam uma mensalidade por beneficiário que tem direito ao serviço, voe ele ou não. São 6,8 milhões de pessoas nessa condição. A grande maioria nunca vai precisar de um avião. Quem precisa, em geral, está num lugar onde falta uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“São beneficiários cobertos, que podem acionar o serviço quando houver indicação médica. Não são pacientes atendidos”, explica o superintendente de negócios da empresa, Alexandre Burgarelli Pini. Os atendidos de fato somam cerca de 50 remoções aéreas e 1,2 mil terrestres por mês. Para o beneficiário, o custo aparece diluído na mensalidade do plano, em média R$ 7, e nada é cobrado na hora do transporte.
Transporte aeromédico onde falta estrutura
O mapa dos voos ajuda a entender por que o negócio existe. Em Minas Gerais, boa parte das remoções sai de Governador Valadares (Vale do Rio Doce) e Teófilo Otoni (Vale do Jequitinhonha/Mucuri). Fora do Estado, a liderança é de Belém (PA). Os pacientes mais frequentes são gestantes, recém-nascidos e cardiopatas, justamente os que dependem de UTIs neonatais e pediátricas e de serviços de alta complexidade que se concentram nas capitais.

Burgarelli Pini não faz rodeios ao descrever a equação. “Em muitas regiões, ter acesso à remoção é mais viável do que manter um hospital com toda essa estrutura”, observa. A frase resume a viabilidade do modelo e, ao mesmo tempo, a dimensão da desigualdade na rede hospitalar do País.
Uma missão começa bem antes da decolagem. Só há transporte com indicação médica, avaliação clínica e vaga confirmada no hospital de destino, critérios definidos pela Portaria 3.048 do Ministério da Saúde e pelas regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Entre o acionamento e a saída do avião, passam-se cerca de 90 minutos. O paciente vai de ambulância até o aeroporto, voa acompanhado de médico e enfermeiro treinados para lidar com os efeitos de altitude, pressurização e vibração, e segue de ambulância de novo na chegada.
Uma remoção aérea custa, em média, R$ 45 mil. Um trajeto longo como o de Belo Horizonte a Belém pode chegar a R$ 154 mil, mas, segundo Burgarelli Pini, essa conta raramente se aplica. Quando surge uma demanda desse tipo, a empresa aciona uma aeronave posicionada mais perto do paciente. O voo direto a partir da capital mineira ficaria restrito a casos de repatriamento, que são raríssimos.
O que mais atrapalha esse roteiro está fora do controle da equipe. Mau tempo, pistas com menos de mil metros ou sem homologação, aeroportos com infraestrutura precária e a vaga no destino que demora a se confirmar são os motivos mais comuns de replanejamento. Por isso a operação leva equipamentos e medicamentos em duplicidade e faz reuniões antes e depois de cada voo.
O superintendente insiste numa distinção que costuma se perder no noticiário. “A Unimed Aeromédica não faz resgate, faz transporte inter-hospitalar”, explica. Acidentes e emergências na rua ficam com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros. Questionada sobre remoções determinadas pela Justiça, a empresa não informou números e se limitou a reafirmar os critérios técnicos.
Três décadas e uma clientela concentrada
Quando a empresa surgiu em Belo Horizonte, em 1996, o transporte aeromédico ainda era pouco explorado no Brasil. Desde então foram mais de 95 mil transportes e 13 milhões de quilômetros voados. A base da capital mineira opera com aviões dedicados dos modelos King Air B200 e C90 e permite duas decolagens simultâneas. Outras dez aeronaves ficam em Curitiba (PR), Salvador (BA) e Belém, e somando todas as bases a empresa já chegou a fazer cinco remoções aéreas ao mesmo tempo.

Juridicamente, a Unimed Transporte Aeromédica MG Ltda. é uma sociedade limitada ligada à Unimed Federação Minas, e não uma cooperativa. Também não é operadora de plano. Vende o serviço às operadoras, que o incluem nos produtos oferecidos aos clientes, de forma obrigatória ou como adicional. Os contratos são reajustados uma vez por ano, conforme o uso registrado no período, já que combustível e hora de voo pesam cada vez mais no custo.
“No modelo de pré-pagamento, somos uma das poucas empresas atuantes neste segmento”, afirma Burgarelli Pini. A concorrência mais direta vem do táxi aéreo, que vende a remoção avulsa, sem garantia de disponibilidade ou de preço. A vantagem tem um outro lado: mais de 90% da carteira está dentro do próprio Sistema Unimed, e a empresa atende hoje cerca de 35% das Unimeds do País.
O crescimento planejado para os próximos cinco anos passa exatamente por diluir essa concentração e ocupar o espaço que ainda resta dentro do sistema. A empresa quer chegar às cooperativas que não oferecem o produto e às autogestões, além de ampliar a presença no Nordeste, onde as maiores Unimeds já são clientes e há contratos recentes em Sergipe e na Paraíba. São Paulo também está nos planos. Na frente tecnológica, a geolocalização das ambulâncias está em desenvolvimento, somando-se ao monitoramento das aeronaves e ao prontuário de voo digital.
“A meta é crescer de forma sustentável, sem comprometer a qualidade”, destaca o superintendente.
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