Minas amplia demanda por trabalhadores temporários em diferentes regiões

Economia variada de Minas Gerais impulsiona o mercado, com setores como serviços, indústria e agronegócio buscando mão de obra
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Minas amplia demanda por trabalhadores temporários em diferentes regiões
Belo Horizonte tem concentração forte de empresas de serviços; dinâmica de contratações temporárias é diferente para cada região do Estado | Foto: Reprodução Adobe Stock / Drobot Dean

A diversidade da economia mineira tem mantido aquecida a demanda por trabalhadores temporários em diferentes regiões do Estado, com necessidades que variam conforme o perfil de cada polo produtivo. Em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, os serviços e a indústria automobilística concentram parte importante das oportunidades, enquanto outras regiões têm forte presença da mineração, siderurgia, agronegócio e logística.

Para o diretor da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) em Minas Gerais, Glaucos Botinha, as características econômicas de cada região ajudam a explicar a distribuição das possibilidades de emprego. “Em cada parte do Estado, falando especificamente de Minas Gerais, a gente tem nossas fortalezas. Aqui em Belo Horizonte, no setor de serviços, há uma concentração forte de empresas de serviços. Na Região Metropolitana, já entra uma parte muito forte do setor automobilístico”, destaca.

Segundo ele, a cadeia automobilística tem peso relevante na Região Metropolitana, enquanto regiões tradicionalmente ligadas à mineração e à siderurgia apresentam outra dinâmica de contratação. No Triângulo Mineiro, por sua vez, o agronegócio e a logística têm maior relevância.

O Sul de Minas também se destaca pela diversidade industrial. Botinha cita a região de Extrema e cidades próximas como polos de atividades que incluem indústria farmacêutica, tecnologia, eletrodomésticos e equipamentos de climatização. “Como em tudo, são vários ‘Brasis’ dentro de Minas Gerais. Depende muito de qual região estamos falando”, ressalta.

A diversidade setorial mineira ocorre em um momento de aquecimento da demanda por mão de obra temporária, principalmente para funções de perfil operacional. De acordo com Botinha, a percepção de desaceleração em alguns setores da economia não vem se refletindo da mesma maneira no mercado de trabalho.

“Quando você fala que a economia está passando por um momento de turbulência, isso não tem se refletido nos números do mercado de trabalho. O mercado de mão de obra mais operacional está bem aquecido e enfrentamos uma escassez de mão de obra, principalmente para os setores de indústria e logística”, afirma.

A necessidade de trabalhadores temporários também está relacionada ao calendário de consumo do fim do ano. Black Friday, Natal e Dia das Crianças ampliam a demanda das indústrias, especialmente pela necessidade de antecipação da produção e da movimentação logística trazida pelo comércio digital.

O efeito, segundo Botinha, é percebido antes de os consumidores chegarem às lojas ou aos sites de comércio eletrônico. A expansão das vendas digitais alterou o momento e o perfil das contratações temporárias, aumentando a necessidade de profissionais envolvidos na produção, armazenagem e distribuição e diluindo mais as contratações ao longo do ano.

A mudança ajuda a entender a composição esperada para o mercado de trabalho temporário no último trimestre. No Brasil, a indústria deve concentrar 45% das contratações entre outubro e dezembro, seguida pelo setor de serviços, com 35%, e pelo comércio, com 20%, conforme dados da Asserttem.

“Essa migração do mercado, principalmente para o mercado online, acarreta um acúmulo no setor de indústria de pedidos que precisam ser atendidos até outubro e novembro”, explica.

Embora lojas de rua e shopping centers continuem contratando para reforçar as equipes no período de maior movimento, o comércio digital ampliou a necessidade de profissionais em etapas anteriores da cadeia.

Os números do terceiro trimestre já haviam evidenciado esse processo. Entre julho e setembro, foram registrados aproximadamente 636 mil contratos temporários no País, alta de 2% sobre o mesmo intervalo de 2025 e número maior que o esperado para o 4º trimestre.

Projeção nacional

Para o quarto trimestre, a Asserttem projeta cerca de 530 mil contratos temporários no Brasil. O volume representa crescimento de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado e sinaliza estabilidade na modalidade, mesmo diante de um cenário de maior cautela das empresas. Entre os fatores que influenciam esse ambiente estão os juros elevados, as adaptações ao novo ambiente tributário e as incertezas relacionadas ao período eleitoral.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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