Confiança dos comerciantes de BH cai em setembro e segue em nível pessimista, aponta Fecomércio-MG

A maioria dos lojistas aponta piora nas condições atuais da economia brasileira, do setor e das próprias empresas
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Confiança dos comerciantes de BH cai em setembro e segue em nível pessimista, aponta Fecomércio-MG
Índice mais baixo foi puxado pela avaliação mais negativa dos lojistas com relação às condições atuais da economia, do setor e das próprias empresas | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alessandro Carvalho

A confiança dos empresários do comércio de Belo Horizonte recuou em setembro, puxada pela avaliação mais negativa das condições atuais da economia brasileira, do setor e das próprias empresas. A intenção de investir dos lojistas também diminuiu.

Segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) da capital mineira diminuiu 1,3 pontos em relação a agosto, marcando 95,7 pontos. O indicador continuou abaixo dos 100 pontos, o que aponta o pessimismo dos empresários.

Como já mencionado, o principal responsável pelo resultado foi o Índice de Condições Atuais do Comércio (Icaec), que retraiu dois pontos, para 69,7 pontos. A maioria dos lojistas respondeu no levantamento que piorou a situação atual da economia do País (79% deles), a do setor (68,1%) e a dos próprios estabelecimentos (52,6%). Por sua vez, o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec) caiu 0,8 pontos, atingindo 99,7 pontos.

“Isso pode estar atrelado aos juros altos, que fazem o crédito ficar muito caro e impactam no consumo e também na capacidade de investimento. Temos ainda o endividamento das famílias, que tem prejudicado muito as vendas do comércio. Esse cenário acaba sendo percebido pelos empresários”, afirma a economista da entidade, Gabriela Martins.

Após sofrer cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual (p.p.), a Selic está, desde setembro, em 13,75% ao ano. Pelas projeções do mercado financeiro, a taxa deve sofrer mais uma queda até dezembro e encerrar 2026 em 13,50%.

Conforme a economista, qualquer corte na Selic é bem-vindo para o setor e melhora a expectativa dos empresários. No entanto, ela reitera que o patamar da taxa segue elevado, assim como os juros reais, o que freia o consumo e os investimentos.

Gabriela Martins ressalta que o ano eleitoral também gera um ambiente de cautela e desconfiança entre lojistas e consumidores, que se intensifica na medida em que a votação se aproxima, por causa das incertezas sobre as futuras políticas fiscais e monetárias. Esse clima se reflete nos índices da pesquisa.

Feriados e datas comemorativas são fatores de otimismo

Por outro lado, embora tenha caído 1,3 ponto na comparação com agosto, o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec) marcou 117,6 pontos em setembro e continuou apontando impressões positivas dos lojistas de Belo Horizonte para o futuro da economia, do setor e das próprias empresas.

O otimismo dos empresários para os próximos meses, de acordo com a economista da Fecomércio-MG, tem a ver com a sazonalidade de fim de ano, período que geralmente é favorável e bastante esperado pelo comércio.

“Começa agora em outubro com o Dia das Crianças, depois vem a Black Friday e o Natal. Também tem o 13º salário e essa injeção de recursos na economia é aproveitada pelo comércio. Boa parte das pessoas que recebem o 13º salário acaba utilizando esse recurso para fazer compras e para pagar dívidas em atraso”, salienta Gabriela Martins.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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