Indústria de fogos de artifício de Minas projeta fim de ano positivo, mas vê desafios para crescer
O setor de pirotecnia mineiro projeta um fim de ano positivo, com expectativa de manter o nível de vendas registrado no mesmo período do ano passado, embora o cenário político e econômico dificulte previsões de crescimento para 2026. Tradicionalmente, os últimos meses do ano concentram mais de 60% da movimentação do segmento, que também tem na Copa do Mundo, nas festas juninas e nos eventos de entretenimento importantes oportunidades de negócios. A concorrência com produtos chineses, as diferenças nas exigências regulatórias e a dificuldade de ampliar a produção estão entre os principais desafios da indústria.
Apesar das dificuldades, Santo Antônio do Monte, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, que concentra 90% da produção do mercado nacional, deve movimentar cerca de R$ 400 milhões. “Se não tiver aumento, pelo menos devemos manter o resultado do ano passado”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Explosivos no Estado de Minas Gerais (Sindiemg), Tiago Santos de Oliveira. Segundo ele, o ambiente de incertezas políticas torna mais difícil estimar o desempenho das vendas, apesar da expectativa favorável para o encerramento do ano.
Historicamente, o setor registra resultados melhores em anos pares, impulsionado por eventos como Copa do Mundo e eleições. Em 2026, porém, o efeito desses acontecimentos sobre a demanda ficou abaixo do esperado. De acordo com Oliveira, houve um aumento pontual na procura por fogos durante o Mundial, mas parte dos pedidos precisou ser revista à medida que as expectativas dos consumidores mudaram ao longo da competição. “Quando o Brasil começou a engrenar, fomos eliminados e as vendas não subiram mais”, conta.
As eleições também contribuíram para movimentar o mercado, embora sem a intensidade observada em outras ocasiões. Já as festas juninas, especialmente as realizadas no Nordeste, continuam representando uma parcela relevante dos negócios.
Santo Antônio do Monte é o seu principal polo produtivo. O arranjo produtivo local reúne empresas do município e de cidades próximas, como Lagoa da Prata, Pedra do Indaiá e Japaraíba. Dados nacionais mostram que o setor movimenta mais de R$ 400 milhões por ano e gera cerca de 20 mil empregos, 5 mil diretos e 15 mil indiretos. No entanto, o dirigente acredita que os números podem ser maiores, uma vez que a atividade envolve diferentes segmentos e serviços. Na estimativa, apenas a indústria está sendo considerada.
“A atividade vai além da fabricação e da comercialização de fogos, alcançando também os serviços de execução de espetáculos pirotécnicos”, ressalta.
Produção enfrenta limites para crescer
Apesar da perspectiva positiva para o fim do ano, a indústria encontra dificuldades para responder rapidamente aos períodos de maior procura. A contratação de trabalhadores temporários, uma alternativa comum em outros segmentos do comércio e da indústria, tem limitações no setor pirotécnico.
Por se tratar de uma atividade de risco, submetida ao controle do Exército e a exigências específicas de segurança, a ampliação da produção depende de condições técnicas e operacionais que dificultam o aumento imediato da capacidade industrial. “É difícil aumentar rápido a nossa produtividade”, explica Oliveira. Além das particularidades da fabricação, as empresas enfrentam escassez de mão de obra na região.
Uma das alternativas em estudo é ampliar a automação dos processos produtivos, respeitando os limites estabelecidos pela legislação. O objetivo é elevar a produtividade e atender à demanda com maior eficiência. Para avançar nessa direção, contudo, as empresas precisam de previsibilidade regulatória e segurança para realizar investimentos, conforme ressalta Oliveira. “Essa insegurança jurídica atrapalha muito. Muitas vezes as leis são feitas sem conhecimento técnico. Muitas leis são eleitoreiras. O que a gente precisa e o que a gente defende é participar desse diálogo para mostrarmos a nossa realidade”, diz.
Concorrência chinesa pressiona indústria nacional
Outro desafio que o setor enfrenta é a concorrência internacional, sobretudo com a China, apontada por Oliveira como a principal produtora mundial de fogos de artifício e fornecedor de mercados como Estados Unidos e Europa.
Segundo o dirigente, os produtos chineses também vêm ganhando espaço no Brasil, o que aumenta a pressão competitiva sobre os fabricantes nacionais. A preocupação do sindicato está relacionada principalmente às diferenças nas exigências regulatórias para produtos importados e nacionais.
“A indústria brasileira precisa cumprir uma série de requisitos para comercializar seus produtos. Em determinadas situações, o processo de regularização dos importados é mais simples. Essa diferença prejudica a competitividade das empresas instaladas no País”, comenta.
A questão ganha relevância diante dos planos de expansão internacional do polo mineiro. O setor já exporta para países da América Latina e busca ampliar sua presença em mercados de maior dimensão. O mercado norte-americano está entre as principais apostas da indústria brasileira.
“Já realizamos duas exportações recentes para os Estados Unidos e elas receberam avaliações positivas após testes dos produtos. A dificuldade está na disputa comercial com os fabricantes chineses, especialmente em relação aos preços. Embora a gente tenha qualidade e segurança, os custos ainda limitam a capacidade de competir no exterior”, finaliza.
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