Agro mineiro consolida salto de 113% no PIB e mostra a força do campo
O agronegócio de Minas Gerais ratificou sua posição como o principal motor do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro durante o evento “Agro – A Força de Minas”, realizado na quarta-feira (18) no Expominas, em Belo Horizonte. O encontro, que reuniu mais de 6 mil produtores e lideranças, serviu como palco para a análise de um crescimento robusto: entre 2019 e 2025, o PIB do setor saltou de R$ 117,3 bilhões para R$ 250 bilhões, superando a indústria extrativa mineral em relevância estratégica para o Estado.
Na abertura, o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, conectou os indicadores macroeconômicos diretamente à base produtiva. Ele enfatizou que a evolução dos números é indissociável da qualificação técnica.

“Celebramos o sucesso do nosso setor. Mais uma vez, no último ano, o agro mostrou a sua força em Minas Gerais. Esse resultado passa, acima de tudo, pelas pessoas. São elas que trabalham, se qualificam e produzem diariamente. É a essas pessoas que devemos o nosso reconhecimento. O setor, muitas vezes lembrado por suas reivindicações, também sabe agradecer”, afirmou Antônio de Salvo.
O evento também serviu como termômetro da relação institucional entre o setor privado e o poder público. Antônio de Salvo destacou a importância da previsibilidade política para o ambiente de negócios.
“Também não poderíamos deixar de registrar o apoio do poder público. Encerramos um ciclo de governo que contribuiu de forma importante para o desenvolvimento do setor e iniciamos outro, ao qual desejamos continuidade nesse apoio. É fundamental que o governo siga alinhado com o agro mineiro”, destacou.

Gestão e convergência política – O governador Romeu Zema reforçou a tese de que a recuperação econômica do Estado se apoia na resiliência do campo. Para o mercado, esse alinhamento sinaliza uma manutenção de políticas de desburocratização e fomento.
“É muito bom estar aqui com vocês, produtores rurais que fazem toda a diferença para Minas e para o Brasil. O agro é formado por pessoas que acordam cedo, trabalham duro e produzem riqueza para o país. Minas voltou a crescer com trabalho e gestão, e o agro tem papel fundamental nesse processo”, declarou Zema.
Um dos pilares da competitividade mineira tem sido a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), programa do Sistema Faemg Senar. O Prêmio ATeG 2025 exemplificou como a gestão profissional de custos e produtividade transforma a rentabilidade. O vencedor nacional na categoria Bovinocultura de Leite, Íris Ferreira Santana, relatou o impacto direto em sua operação.

“Me sinto muito orgulhoso e emocionado por receber essa homenagem. É um reconhecimento da minha história e do meu trabalho de muitos anos. Tenho muita gratidão ao Sistema Faemg Senar por todo o apoio e por fazer parte das minhas conquistas”, celebrou o produtor.
A visão estratégica para o restante de 2026 foi apresentada por Geraldo Mello, Secretário de Agricultura de São Paulo, que pontuou a representatividade do setor. “Reunir mais de 6 mil pessoas demonstra a força e a representatividade do agro mineiro. É uma oportunidade de compartilhar perspectivas para um ano que se inicia positivo, mas que também traz desafios”, afirmou Mello.

Os dados apresentados confirmam que o agronegócio de Minas Gerais deixou de ser um setor de subsistência para se tornar uma âncora de estabilidade macroeconômica. O salto de R$ 117,3 bilhões para R$ 250 bilhões em apenas seis anos indica uma maturidade do ecossistema produtivo, que agora foca na intensificação tecnológica em vez da simples expansão de área.
A análise do mercado sugere que a manutenção dessa trajetória depende de três fatores críticos evidenciados no evento:
- Governança: A premiação de modelos de gestão sinaliza que a rentabilidade hoje depende de dados precisos e controle de margens.
- Segurança institucional: O diálogo permanente entre o Sistema Faemg e o governo do Estado reduz o “Custo Brasil” e atrai investimentos em infraestrutura logística.
- Qualificação: A transformação do mercado de trabalho rural, discutida pelo Ipea, mostra que o agro mineiro está absorvendo mão de obra mais especializada, elevando o valor agregado da produção regional.
Em suma, o agro mineiro entra em 2026 não apenas como o maior setor do Estado, mas como um modelo de resiliência e eficiência que serve de benchmark para a economia nacional.

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