Agronegócio

Zoneamento climático impulsiona produção de alho em Minas e reduz riscos para agricultores

Medida do Mapa pode resultar em colheitas mais produtivas e de maior qualidade; Minas lidera produção nacional da hortaliça
Zoneamento climático impulsiona produção de alho em Minas e reduz riscos para agricultores
Em Minas, cultura do alho ocupa cerca de 5,7 mil hectares por ano e, em 2024, somou 86,3 mil toneladas | Foto: Paula Rodrigues / Embrapa

A produção de alho, em Minas Gerais, foi favorecida com a inclusão da hortaliça no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que estabelece as regiões de produção e épocas de plantio mais favoráveis para o cultivo no território brasileiro, com base nas probabilidades ou risco de perda de produção causada por eventos meteorológicos adversos. A medida é considerada importante e pode resultar em colheitas mais produtivas e de maior qualidade, contribuindo para a competitividade dos produtores no mercado.

Conforme os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os estudos para inclusão do alho no Zarc foram elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças, em conjunto com associações de produtores e instituições de ensino e de pesquisa agropecuária.

Para o presidente do Sindicato Rural de São Gotardo, no Alto Paranaíba, vice-presidente do Sistema Faemg Senar, presidente da Comissão Nacional de Hortifruti da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e produtor de alho, Rodolfo Molinari da Costa, o zoneamento climático ajuda a identificar áreas em Minas Gerais com condições ideais de temperatura, umidade e precipitação, o que é crucial, uma vez que a produção de alho é sensível a variações climáticas.

“O zoneamento climático é uma ferramenta essencial para a agricultura e, principalmente, para o cultivo de alho. O processo envolve a identificação e mapeamento de áreas com condições climáticas adequadas para o crescimento da cultura. Então, ao plantar em áreas indicadas pelo Zarc, os agricultores podem minimizar riscos associados a eventos climáticos, como geadas ou seca, que podem comprometer a produção”, explica.

Ainda segundo Costa, através do zoneamento os produtores de alho também poderão utilizar recursos de forma mais eficiente. “O produtor poderá focar em regiões que naturalmente favorecem o crescimento do alho, levando a uma maior sustentabilidade”, reitera.

Além das vantagens relativas à produção eficiente e qualidade, o Zarc fornece informações fundamentais que são utilizadas para determinar as áreas e condições climáticas mais adequadas, informações que as seguradoras agrícolas utilizam para avaliar e precificar o risco associado à produção agrícola em diferentes regiões.

“O zoneamento climático é uma medida que pode maximizar a produtividade do alho em Minas Gerais, ao mesmo tempo em que protege os agricultores de riscos ambientais e otimiza o uso de recursos naturais”, completa.

Conforme os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Minas Gerais é o maior produtor de alho do Brasil, responsável por 50% do volume total de 172,8 mil toneladas. No Estado, a cultura ocupa cerca de 5,7 mil hectares por ano e, em 2024, somou 86,3 mil toneladas. O Valor Bruto da Produção (VBP) do alho chegou a R$ 1,2 milhão no ano passado.

A maior parte da produção (91,5%) mineira está concentrada nas regiões do Alto Paranaíba e Triângulo, regiões que colheram 15,7 mil toneladas de alho em 2024. Entre os maiores produtores estão os municípios de Rio Paranaíba, com 41,7 mil toneladas, seguido por Campos Altos, 8,7 mil toneladas, São Gotardo, 7,5 mil toneladas, e Sacramento, com uma produção de 6 mil toneladas de alho.

O plantio acontece entre março e maio e a colheita geralmente ocorre entre junho e outubro.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas