Agronegócio

Ameaça de desabastecimento de diesel preocupa agronegócio em Minas

Em Minas, produtores já registram alta nos preços do combustível, o que resultará em aumento dos custos e redução das margens, aponta Sistema Faemg Senar
Ameaça de desabastecimento de diesel preocupa agronegócio em Minas
Setor está em plena colheita de grãos, como a soja, e implantação da segunda safra, como milho; interrupção pode acarretar na perda da janela ideal de plantio | Foto: Divulgação Aprosoja

A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã está pressionando os preços do diesel e a disponibilidade do combustível no campo, o que pode prejudicar o agronegócio. Produtores temem que, além do custo mais alto do combustível, haja também falta, o que pode impactar o andamento das colheitas e até mesmo a implantação da segunda safra.

Conforme o gerente do Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Rafael Rocha, em Minas Gerais, produtores já registram alta nos preços do diesel, o que resultará em aumento dos custos e redução das margens, que já estão bem ajustadas.

“A alta do diesel observada desde o início da guerra, sem dúvida, vai impactar os custos de produção. Nós estamos no momento de colheita da safra – de grãos e cana-de-açúcar – onde o custo de colheita tem representatividade grande. Com a alta de dois dígitos chegando ao produtor rural, isso, sem dúvida, trará um impacto negativo, apertando cada vez mais a margem do setor. Tanto nos grãos como na cana, neste ano, as margens estão mais estreitas”, analisa.

Ainda conforme Rocha, a situação que mais causa receio nos produtores é a possibilidade de desabastecimento, o que traria um prejuízo ainda maior. Isso porque o setor está em plena colheita da safra de grãos e implantação da segunda safra. Uma interrupção do processo pode acarretar na perda da janela ideal de plantio.

“Além da alta nos preços, que preocupa muito os produtores, há um problema ainda maior, que é a falta que já se observa no mercado. Essa falta de diesel pode trazer um impacto enorme, pensando, principalmente, que o produtor tem as janelas de colheita e oportunidade de clima. Estamos vivendo um ano onde nos primeiros meses ocorreram muitas chuvas e muitas safras não puderam ser colhidas. Se houver falta de diesel nas oportunidade que podemos colher, isso pode impactar muito na eficiência das colheitas, trazendo resultados que impactaram muito além dos aumentos de preços”, esclarece o represente da Faemg Senar.

Adubo

O conflito no Oriente Médio também traz preocupações futuras, principalmente, para a próxima safra. O receio gira em torno dos preços dos adubos nitrogenados, uma vez que o Brasil é altamente dependente da produção vinda da região de conflito.

“O mundo como um todo depende desses produtos e já vínhamos percebendo aumentos desde o início do ano. Com a guerra, a alta foi intensificada. Desde o início de 2026, temos um aumento acumulado que ultrapassa 35% e que pode se intensificar. É uma preocupação a mais para o planejamento do plantio da próxima safra”, explica Rocha.

Risco à produtividade e à segurança alimentar do País

Em nota, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) expressou preocupação com a ameaça de interrupção do fornecimento de diesel às propriedades rurais em pleno período de colheita da soja e o cultivo do milho segunda safra.

“A medida é intempestiva, afeta diretamente a operação no campo e coloca em risco a produtividade e a segurança alimentar do País. A situação evidencia a fragilidade do abastecimento de diesel no Brasil, país que é grande exportador de petróleo bruto, mas que ainda depende da importação de diesel e gasolina”, diz trecho do comunicado oficial.

A entidade alerta para o risco de oportunismo por parte de fornecedores que, diante da escassez, podem elevar preços de forma abusiva: “Esse movimento pressiona os custos de produção, encarece o transporte de mercadorias e pode resultar em inflação de alimentos, além de gerar perdas irreversíveis de produção que não venha a ser colhida”.

Aumento da mistura de biodiesel e etanol

Diante deste cenário de guerra do Oriente Médio, a Aprosoja defende a urgência em avançar no aumento da mistura de biodiesel, reduzindo a dependência externa. A entidade também defende a ampliação do uso do etanol na matriz energética, inclusive no transporte de cargas e em máquinas agrícolas. “A Aprosoja Brasil solicita também ação imediata das autoridades para restabelecer o abastecimento, coibir práticas abusivas e fortalecer a segurança energética do agronegócio brasileiro”, reforça.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também defende a necessidade urgente do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no País, passando dos atuais 15% para 17%, diante da escalada recente dos conflitos e os impactos sobre o mercado de petróleo.

A entidade enviou ofício ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, lembrando que, após o início das tensões, o preço do barril do petróleo bruto Brent chegou a US$ 84, acumulando alta de até 20% em relação ao fim de fevereiro.

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