Após nove quedas consecutivas, preço do leite sobe no início de 2026
Após registrar nove quedas consecutivas, o preço do leite pago ao produtor subiu no pagamento de fevereiro, referente à produção captada em janeiro. Conforme os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em Minas Gerais, a alta chegou a 1,79%, com o litro comercializado a R$ 2,06. Mesmo com o aumento, o preço segue bem abaixo do praticado há um ano, com queda de 24%. O incremento veio de ajustes na produção feitos nas diversas bacias leiteiras e do aumento do consumo.
Na média nacional, o preço do leite ao produtor captado em janeiro fechou a R$ 2,021 por litro, ligeira alta de 0,9%. Apesar da valorização, a cotação está 26,9% inferior à registrada em igual pagamento de 2025. De acordo com a pesquisadora do Cepea, Natália Gringol, houve queda na captação do leite, com o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) recuando 3,6% na média. A menor oferta se deve à redução dos investimentos por parte dos produtores.
“As quedas consecutivas no preço do leite no campo em 2025 estreitaram as margens do produtor. Com isso, os investimentos na atividade tendem a se reduzir”.
A analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, explica que a tendência para o pagamento de março, referente à produção entregue em fevereiro, é nova alta, mostrando sinais de uma possível reversão do mercado em Minas Gerais. Mesmo com a valorização, o valor do litro de leite pago ao produtor ainda está 24% inferior frente ao mesmo pagamento de 2025.
“O Conseleite mostrou que para o leite entregue em fevereiro – que será pago agora em março – há uma nova recuperação na faixa de 1,1%, o que mostra o início de um movimento de reversão das nove quedas consecutivas que o preço pago ao produtor sofreu ao longo de 2025. Vale destacar que a variação ainda está 24% inferior ao preço praticado em janeiro de 2025”.
Recuperação
Ainda conforme Mariana, um dos principais fatores que explica a alta em pleno período de safra é uma maior recuperação do consumo no mercado interno, uma vez que as exportações ainda representam uma fatia muito pequena no mercado.
“Enquanto os preços ao produtor caíram nove meses consecutivos, para o consumidor, a queda acumulada dos lácteos na inflação dos últimos 12 meses, foi de apenas 5,6%. Um grande destaque foi a queda do leite UHT, que caiu cerca de 16% no período. O Conseleite já aponta uma recuperação dos preços no derivado, que possui uma participação forte no mix do Estado. Então, essa recuperação de preços no UHT, em cerca de 5%, tem sido um dos pilares para a leve recuperação de preços ao produtor rural”.
Mariana destaca ainda que o consumo do leite UHT é muito sensível à renda do consumidor. “Neste ano – onde observamos os menores índices de desemprego dos últimos anos, a isenção do Imposto de Renda (IR) para salários até R$ 5 mil e outras políticas comuns em anos eleitorais – há uma tendência de maior capital circulando no mercado, refletindo, diretamente, na demanda do UHT e dos demais derivados do lácteos. Isso reflete no preço pago ao produtor”.
Rentabilidade da produção do leite está comprometida
Mesmo com a alta de 1,79% no preço do leite em Minas Gerais, os produtos seguem registrando prejuízos. De acordo com Mariana, apesar do preço médio do litro estar em R$ 2,06, muitos produtores recebem valores abaixo.
“O preço médio do leite em R$ 2,06 não representa a realidade dos produtores. Grande parte deles, principalmente, dos pequenos, ainda recebem menos de R$ 1,80 por litro de leite comercializado. Estes valores são insuficientes para arcar, até mesmo, com os custos operacionais da atividade. Isso, influencia na saída de diversos produtores da atividade e também na inviabilidade da produção em curto e médio prazo em grande parte das propriedades de leite de Minas Gerais”.
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