Produzida em Minas, castanha de baru ganha vitrine no mercado europeu
A castanha de baru, produzida no Cerrado de Minas Gerais, se prepara para conquistar o mercado europeu. Considerado um superalimento e de uso sofisticado na gastronomia, a castanha de baru será destaque do Brasil na maior feira de produtos orgânicos da Europa, a Biofach 2026, que acontece até 13 de fevereiro, em Nuremberg, na Alemanha.
O gerente do Sebrae Minas na Regional Noroeste e Alto Paranaíba, Marcos Alves, explica que a participação no evento é um importante passo para que a castanha de baru chegue ao mercado europeu. No ano passado, a União Europeia autorizou as exportações de castanhas torradas de baru do Brasil aos países-membros. A tendência é que os embarques das castanhas de baru aumentem, já que o produto é considerado um superalimento e tem potencial de crescimento nos mercados de alimentos funcionais e naturais.
Diante da oportunidade de mercado, representantes do Sebrae Minas, da Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase) e da WWF-Brasil, em parceria com o Fundo Brasileiro de Biodiversidade (Funbio), embarcaram para a Biofach 2026, onde o baru será o destaque do estande da cooperativa.
“A Copabase terá um estande no pavilhão do Brasil, juntamente com outros produtos nacionais, em um espaço específico para apresentar o produto. O evento é de grande importância já que o mercado europeu é novo e esta é a primeira iniciativa para que a castanha consiga ter acesso ao mercado diferenciado da Europa, mercado que valoriza produtos especiais”, aponta o gerente.
Ainda conforme Alves, a ação tem como objetivo fortalecer a cadeia do baru, que é produzido através do extrativismo, envolvendo diversas famílias. Em Minas Gerais, a Copabase, com sede em Arinos, representa cerca de 300 famílias.

“Durante a feira, a cooperativa terá a oportunidade de prospectar parceiros comerciais e institucionais. A Copabase já trabalhou com exportações do baru para os Estados Unidos e Emirados Árabes e, agora, o produto será apresentado para o mercado europeu, que é de alto valor agregado e tem melhores perspectivas de ganhos para produtores. Isso, não só pelo produto ser conhecido como superalimento, mas também pela história que carrega, pela agricultura familiar e por ser orgânico e sustentável”, confirma.
A gestora da Copabase, Dionete Figueiredo, está otimista em participar da Biofach 2026. “Participar da Biofach 2026 é um marco histórico para a Copabase e as comunidades extrativistas do Cerrado Mineiro, pois nos permite levar a castanha de baru, da qual somos os únicos do Brasil com selo orgânico, símbolo da sociobiodiversidade, ao maior evento de orgânicos do mundo. Apesar de uma safra desafiadora em 2025, estamos otimistas quanto à produção de baru em 2026, embora cientes de que o sucesso ainda dependerá das questões climáticas”, aponta.
Conforme as informações do Sebrae, por ano, cerca de 15 toneladas de castanhas de baru são beneficiadas e comercializadas pela Copabase, gerando trabalho e renda para 70 produtores associados e, aproximadamente, 300 famílias envolvidas com a cadeia produtiva do fruto, no Vale do Urucuia e na Região do Grande Sertão Veredas. Um processo que se inicia, essencialmente, na coleta pelos extrativistas.
Ouça a rádio de Minas