Carne bovina tem preços sustentados por demanda externa e oferta ajustada
Nos sete primeiros meses de 2026, os mercados do boi gordo e da carne apresentaram relativa firmeza. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), a combinação entre exportações de carne bovina aquecidas, oferta relativamente ajustada de animais terminados e reposição valorizada sustentaram os valores ao longo do período, mesmo diante de um consumo doméstico moderado.
Segundo o centro de pesquisas, o câmbio em patamar favorável reforçou a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional, enquanto a demanda externa ajudou a compensar a fragilidade do consumo doméstico, ainda limitado pelo poder de compra das famílias. Apesar desse cenário, o mercado de boi gordo apresentou momentos distintos, alternando fases de maior pressão da oferta com períodos de recuperação das cotações.
No primeiro trimestre, o setor ainda refletiu os efeitos do elevado abate de fêmeas observado nos anos anteriores, fator que reduziu a disponibilidade de animais para reposição e contribuiu para a valorização dessa categoria. Já no segundo trimestre, a entrada de animais de pasto ampliou a oferta em algumas regiões. Ainda assim, as escalas de abate dos frigoríficos permaneceram relativamente ajustadas, limitando movimentos mais acentuados de queda nas cotações do boi gordo.
Veja, a seguir, outro destaque do Agronegócio:
Anec mantém previsão de exportação recorde de soja
O Brasil deverá exportar um recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, aumento de quase 5% em relação à melhor marca anterior registrada no ano passado, com uma demanda “aquecida” e diante do crescimento da safra do País, estimou na quinta-feira (6) a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

A associação de tradings manteve a projeção de embarques da oleaginosa do País para o ano, mas fez um alerta dos impactos de dificuldades financeiras dos agricultores para as próximas safras do maior produtor e exportador de soja. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o Brasil exportou 84,8 milhões de toneladas, cerca de 5 milhões de toneladas acima do visto no mesmo período de 2025, frisou a Anec. Com embarques de agosto estimados preliminarmente na quinta-feira (6) em 9,74 milhões de toneladas – alta de 1,6 milhão de toneladas na comparação com o mesmo período de 2025 -, a exportação no acumulado do ano até o final do mês poderia atingir 94,5 milhões de toneladas, estimou a Anec. Entretanto, há preocupações com as consequências dívidas de agricultores para as safras e exportações futuras do Brasil.
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