Nova unidade da Cidade do Agro aposta em tecnologia e solo produtivo
A Cidade do Agro, centro de pesquisas da Universidade de Uberaba (Uniube), no Triângulo Mineiro, conta, desde novembro de 2025, com mais uma unidade para o desenvolvimento de tecnologias e produtos voltados à agropecuária. A nova área, na zona rural de Uberaba, é fruto da parceria com o Grupo Agronelli, uma das principais empresas especializadas em tratamento de solo do País. A empresa estima que cerca de sete mil estudantes poderão passar pelo projeto.
A empresa prevê um investimento superior a R$ 215 mil nos próximos três anos no local. O gerente de pesquisa e desenvolvimento de Mercado da Agronelli Soluções, Maurício Komori, ressalta a importância da iniciativa para a formação de novos profissionais e para o fortalecimento da marca. “É uma forma de fortalecimento da marca da empresa como pioneira no desenvolvimento de tecnologia, inovação e levar para esses estudantes a visão que a empresa tem. Os alunos já saem com essa visão e a gente espera que esteja em linha com a missão de vida de cada um”, afirmou.
A Cidade do Agro, com cerca de dois hectares, vai trabalhar principalmente questões relacionadas à construção de perfil e manejo do solo, focado principalmente em gesso agrícola e agrosilício. Komori afirma que, para desenvolvimento destas pesquisas, a universidade usará o espaço para aulas práticas e irá manter o rigor estatístico necessário para que os estudos possam ser publicados em revistas científicas.
O gerente afirma que o objetivo é buscar um equilíbrio para a construção de um perfil, que é a melhorar as condições químicas, físicas e biológicas do solo, dando uma maior resistência às plantas que serão cultivadas ali.
“Isso (a pesquisa) vai trazer uma resistência maior, uma resiliência maior das plantas, principalmente com relação ao ataque de pragas e ao estresse hídrico, melhora a capacidade de aproveitamento de água e nutrientes. A gente consegue melhorar as condições químicas, físicas e biológicas do solo de modo a propiciar uma agricultura mais sustentável, mais produtiva”, concluiu.
Culturas
Entre as culturas que devem ser alvo prioritário das pesquisas estão café, citros, milho e soja. A intenção é colher informações de longo prazo sobre o efeito do produto no solo e nos cultivos.
“Eles vão avaliar, por vários anos, a aplicação de insumos para ter dados do impacto a médio e longo prazo no solo”, afirmou o coordenador de projetos de pesquisa da Cidade do Agro, o professor de agronomia Ricardo Mendonça.
O gesso agrícola que a Agronelli usa é responsável por auxiliar no aumento do aproveitamento de águas de chuvas no solo. O professor comenta que esse produto é muito importante em locais que possuem chuvas muito irregulares. A intenção é testar diferentes formas de aplicação, variando a concentração, a forma e fazendo alguns ajustes para otimizar os números.
Projeto é elo entre mercado de trabalho e estudantes
O projeto, iniciado pela Uniube em 2024, tem como intuito permitir que os alunos, principalmente do curso de Agronomia, possam ter contato com vivências do mercado de trabalho e com o desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias. Esta é, segundo o professor Ricardo Mendonça, a única iniciativa do tipo no País.
“O objetivo principal da Cidade do Agro é fazer o elo entre as empresas do mercado e os nossos estudantes, para que ele já participe da realidade do mercado de hoje. A gente está propondo uma nova maneira de trabalhar. Não quer que o aluno vá e faça um estágio na empresa, mas que acompanhe todo o desenvolvimento de produtos que as empresas realizam. As empresas também querem a capacitação de profissionais para atender às suas demandas, já que tem pouca gente qualificada”, reiterou o professor.

O gerente Maurício Komori endossou a análise do professor e apontou que esse projeto “é uma forma de fazer uma transferência de tecnologia direta para quem vai atuar no campo”.
No local, as empresas aproveitam para testar diferentes produtos. Entre os que vêm sendo estudados estão resíduos de produtos fitossanitários, que estão dentro dos níveis toleráveis para a alimentação humana e animal, tema que vem causando preocupação no setor do agronegócio. “É uma oportunidade imprescindível para a formação, para uma capacitação dos profissionais, para que eles estejam preparados para ingressar no mercado de trabalho. Muitas vezes um profissional sai do curso e não está apto a atender as necessidades da empresa. A nossa ideia é já realizar esse link e preparar mais esse profissional”, explicou o coordenador do projeto.
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