Agronegócio

Cooxupé fecha 2025 com faturamento recorde de R$ 16,99 bilhões

Maior cooperativa de café do Brasil distribuiu R$ 185,6 milhões em sobras para cooperados, apesar de desafios como tarifaço e problemas climáticos
Cooxupé fecha 2025 com faturamento recorde de R$ 16,99 bilhões
Colheita de café. | Foto: Divulgação/ Cooxupé

Maior cooperativa de café do Brasil, a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé, no Sul de Minas, (Cooxupé) fechou 2025 com faturamento recorde de R$ 16,99 bilhões. O montante representa 58,8% a mais em comparação às receitas de 2024, quando a empresa faturou R$ 10,7 bilhões. O resultado foi divulgado para os cooperados durante Assembleia Geral Ordinária nesta sexta-feira (27).

De acordo com o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, a razão principal para o crescimento da arrecadação está atrelada ao valor do café, cujas sacas foram comercializadas, ao longo de 2025, por preços em torno de R$ 2.000. “Esse número recorde também se deve à confiabilidade dos produtores em nossa cooperativa e ao trabalho dos nossos técnicos e profissionais”, pontua.

Em 2025, a Cooxupé também gerou R$ 470,3 milhões em resultados e distribuiu R$ 185,6 milhões em sobras para as famílias cooperadas com produção de café nas regiões do Sul do Estado, Cerrado Mineiro, Média Mogiana do Estado de São Paulo e Matas de Minas.

Sacas recebidas e embarques

O balanço divulgado pela cooperativa revela ainda que, em 2025, a Cooxupé recebeu 6,075 milhões de sacas de café verde tipo arábica, das quais 4,8 milhões foram entregues por seus cooperados. Considerando este volume de recebimento, com base na Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a cooperativa representa 17% da produção de arábica do Brasil e 24% em Minas Gerais.

Já os embarques somaram 6,078 milhões de sacas de café, 4,8 milhões para a exportação direta e 1,2 milhão destinado ao mercado interno. O mês de setembro registrou recorde de embarque com uma remessa de 810.170 sacas somente neste período.

Cafés especiais

No segmento de cafés especiais, a SMC Specialty Coffees, empresa controlada pela Cooxupé, embarcou 192.792 sacas: 167.979 para o mercado externo e 24.813 para o mercado interno. Foram 24 países atendidos, como Estados Unidos, Suíça, Japão, Reino Unido, Coreia do Sul, Alemanha, entre outros.

Perspectivas para 2026 apresentam quedas

Para 2026, a expectativa da cooperativa é de retração nos principais indicadores financeiros em comparação a 2025. Os embarques devem somar 5,8 milhões de sacas de cafés, queda de 4,57%. As exportações devem ficar na casa dos 4,4 milhões, retração de 8,33% em relação ao valor registrado em 2025.

Melo destaca que esse cenário se deve às incertezas do momento. “Nunca tivemos tão pouco estoque de café de cooperados, com índices próximos a zero, o que dificulta uma perspectiva mais positiva no que se refere à exportação. Por isso estamos sendo comedidos. Eu acredito que o ano de 2026 vai ser mais difícil que 2025, também pelas incertezas geopolíticas”.

Outros dados do balanço de 2025

  • A agricultura familiar ainda predomina o perfil dos cooperados da Cooxupé, conforme também apresentado nos resultados. Em 2025, considerando o recebimento de café, 97,6% dos cooperados são mini e pequenos produtores. Já os médios, grandes e megas representam 2,4% desse universo.
  • No ano passado, a Cooxupé investiu R$ 105,2 milhões em reformas, obras, aquisições e inaugurações como a do armazém de café em Caconde, em São Paulo; a mudança de local das unidades avançadas de Itamogi e de Espírito Santo do Pinhal; a ampliação da Unidade Avançada de Boa Esperança, dentre outros pontos, mantendo o contínuo desenvolvimento dos mais de 21 mil cooperados e a consolidação das atividades da própria cooperativa.
  • Outro destaque de 2025 apresentado no balanço da cooperativa foi o “Gerações”, o programa próprio de sustentabilidade da Cooxupé, que inclui as diversas realidades dos produtores cooperados. O protocolo já foi validado pela Plataforma Global do Café (GCP) como equivalente ao seu Código de Referência de Sustentabilidade e, também, obteve o reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) como Programa de Promoção de Boas Práticas Agrícolas.
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