Agronegócio

Dario Colares assume ABCCMM para resgatar valores e modernizar gestão

Novo presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador detalha planos para tecnologia, conhecimento e transparência da entidade
Dario Colares assume ABCCMM para resgatar valores e modernizar gestão
Foto: Divulgação João Pedro Petronilho

Quarta geração da família envolvida na criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador, o novo presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), Dario Colares de Araújo Moreira, assume a entidade com a proposta de resgatar os valores dos criadores, seguir avançando nas tecnologias e na modernização da associação. Ao longo dos próximos anos, a proposta é tornar a ABCCMM ainda mais próxima dos criadores em todo o território nacional e promover a maior capacitação. Dario Colares vem de uma família com 90 anos de história na raça e é titular do tradicional prefixo Catuni. A criação dos cavalos é na Fazenda Santa Helena, em Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais. Apaixonado pelo Mangalarga Marchador, Colares está na atividade há 40 anos. Criador atuante no cenário do agronegócio, o novo presidente ficará à frente da associação de 2026 a 2029. A ABCCMM conta hoje com 28 mil associados e quase 800 mil cavalos registrados, é a maior associação de cavalos da América Latina, com o Estado concentrando 50% do colégio eleitoral e do plantel equino.

Quais são as expectativas para esta nova gestão, cujo processo foi marcado pela inovação?

Esta foi a primeira eleição eletrônica da ABCCMM e envolveu três candidatos. Foi a maior disputa na raça até hoje, mas, felizmente, nós ganhamos com mais de 53% da votação. Isso mostra que o plano de gestão apresentado durante a campanha teve grande identificação dos associados. A nossa proposta é resgatar os valores dos fundadores e criadores, voltar à origem da raça, mas com toda tecnologia disponível. Nossa gestão busca modernizar a associação, dando mais dinâmica ao sistema, agilidade, transparência e velocidade no atendimento ao associado.

Quais são os principais projetos e ações planejados para a associação? A ABCCMM é a maior de cavalos da América Latina. Como a entidade planeja levar conhecimento a todos os associados?

Além de modernizar a associação, vamos qualificar os árbitros e técnicos de registro. Temos também um programa de conhecimento para levar aos associados. Estamos disponibilizando uma biblioteca virtual e uma plataforma virtual com cursos on-line e todo o acervo da associação digitalizado. A entidade tem 28.000 associados em todos os estados do Brasil. Queremos levar conhecimento a cada um desses locais para que o criador tenha maior assistência. Os técnicos de registro, que antes apenas registravam animais, agora levarão conhecimento ao criador na primeira visita, aproximando-o da associação. Vamos levar conhecimento sobre gestão, manejo, equitação, entre outros. A associação existe para atender ao interesse dos criadores, por isso, queremos nos aproximar e, isso, vai acontecer pelo conhecimento.

No último ano, a ABCCMM assumiu a gestão do Parque de Exposição da Gameleira. Qual o projeto para modernizar o espaço?

A gestão do Parque da Gameleira – um espaço de 90 mil metros quadrados – tem a possibilidade de vigência por até 20 anos. Nosso projeto prevê a criação de um centro de excelência do Mangalarga Marchador, com treinamentos, capacitações, criação de pista de treinamento e pesquisa. Vamos melhorar a estrutura para receber criadores, animais e visitantes. Queremos também adaptar o auditório para fazermos treinamentos específicos.

Outras associações do agronegócio – como dos criadores do Campolina, dos suinocultores, dos caprinocultores, do pônei – também têm sede no Parque de Exposição da Gameleira. Como será a gestão para elas?

Queremos que o Parque da Gameleira seja um grande centro voltado para o agronegócio mineiro, porque o parque não vai contemplar apenas o Mangalarga Marchador. Todas as associações terão acesso ao parque. Elas pagarão aluguel à Mangalarga Marchador e nós faremos a gestão. Encomendamos um projeto arquitetônico para um plano diretor do parque, visando centralizar todas as exposições e associações em um único lugar, com um ambiente mais moderno e atualizado para que as associações possam operar e interagir também, porque os interesses são comuns.

Uma das novidades da nova gestão foi a criação da Comissão do Criador. Qual é o objetivo dessa iniciativa?

A Comissão do Criador surgiu para dar mais transparência à associação e estamos criando uma ouvidoria, um canal anônimo para elogios, críticas e sugestões. Além disso, o canal de apoio ao criador terá três criadores conhecidos (um em São Paulo, um em Minas Gerais e um na Bahia) que ouvirão sugestões e críticas de forma mais direta, interagindo com os criadores para novas ideias e projetos. Por meio destes levantamentos, vamos buscar soluções e dar retorno ao criador.

Hoje, quais são os principais desafios de mercado para a raça Mangalarga Marchador?

A raça Mangalarga Marchador é a mais popular do Brasil, com quase 300 novos associados entrando por mês. É um cavalo de custo mais baixo, rústico e de fácil manejo. Mas, para quem quer participar de exposição e competir, o grande desafio é baixar o custo de produção do cavalo, que, por menor que seja, ainda é alto. Pretendemos fazer isso levando mais capacitação e democratizando os eventos com custos mais baratos por meio de parcerias.

A gestão anterior iniciou um projeto voltado para a certificação de bem-estar animal, sendo a Nacional do Mangalarga a primeira a conquistar o selo. Haverá continuidade e expansão para outros eventos?

Sim, a continuidade é uma prioridade e uma cobrança do mercado mundial. O bem-estar animal e o antidoping são conquistas da gestão anterior que serão preservadas, pois dão visibilidade e transparência. Queremos certificar o cavalo Mangalarga Marchador como a raça mais tradicional do Brasil e ter um selo de qualidade para cada vez mais ter uma referência na criação do cavalo. O bem-estar animal é imprescindível na nossa gestão. Temos feito esse acompanhamento até nas cavalgadas temáticas, contando com a presença de representantes de instituições parceiras que nos acompanham no processo.

Qual é o tamanho do plantel da raça Mangalarga Marchador e a representatividade de Minas Gerais?

A associação contabiliza quase 800 mil cavalos. Minas Gerais representa 50% do colégio eleitoral e 50% do plantel equino, sendo o maior criador da raça, que nasceu em Minas Gerais.

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