Agronegócio

Dependência da China pressiona cadeia da carne bovina após ano recorde de exportações

Órgão vê uma necessidade de ampliar as alternativas de escoamento do produto brasileiro
Dependência da China pressiona cadeia da carne bovina após ano recorde de exportações
Exportações do Brasil de carne bovina renovaram recorde em 2025; devido às restrições da China, setor nacional tem que ampliar alternativas de escoamento do produto | Foto: Reprodução Adobe Stock / Pulsar Imagens

As exportações brasileiras de carne bovina renovaram o recorde em 2025. O mercado chinês foi novamente o maior destino da carne, cenário que, ressalta-se, coloca uma “pressão” sobre a cadeia nacional neste ano que se inicia. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, além de a produção brasileira operar em patamar recorde, a imposição da China de medidas de proteção comercial por meio de tarifas e de cotas sobre produtos importados, como a carne – as “salvaguardas” –, gera uma necessidade de o setor pecuário nacional ampliar as alternativas de escoamento do produto, seja no mercado externo, seja no interno.

Dado da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, especificamente à China, foram exportadas 1,648 milhão de toneladas em 2025, um recorde, 24,6% acima do volume escoado ao mercado chinês em 2024 e representando 48% do total enviado pelo Brasil ao exterior. Com as salvaguardas, o Brasil terá uma cota de 1,106 mil toneladas a serem enviadas à China em 2026, com uma taxa de 55% sobre o que ultrapassar esse volume. Tomando-se como base o ano de 2025, esse volume seria alcançado entre os meses de agosto e setembro. A média de volume embarcado à China nos últimos quatro meses de 2025 foi de 175 mil toneladas. Pesquisadores do Cepea apontam que, caso esse ritmo seja mantido, as exportações atingiriam a cota já entre junho e julho de 2026.

Quanto ao preço, em 2025, a média geral da carne exportada ficou 15,42% acima da de 2024, a US$ 5,15 por quilo, ainda conforme dados da Secex. A China, por sua vez, pagou, em média, US$ 5,29/kg pela carne brasileira, 17,24% a mais que em 2024, sendo 2025 o segundo melhor ano, atrás apenas de 2022, quando a média esteve em US$ 6,41/kg.

Caso os embarques brasileiros à China em 2026 atinjam a cota, haverá um valor adicional de 55% sobre o valor da carne embarcada, o que levaria o produto à média de US$ 8,2/kg (tendo-se como base a média de 2025), patamar nunca antes pago pelos chineses e nem mesmo por países europeus. (Cepea)

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