Exportações do agro mineiro caem 5,2% no primeiro bimestre
As exportações do agronegócio de Minas Gerais, ao longo do primeiro bimestre, registraram queda de 5,2% em valor frente a igual período do ano passado. Ao todo, os embarques movimentaram US$ 2,48 bilhões. A retração é resultado, principalmente, da queda vista no preço médio geral por tonelada, que ficou 5,76% menor. Já em volume destinado ao mercado externo, Minas Gerais apresentou uma leve alta de 0,3% na exportação do agronegócio. Com o resultado, o setor respondeu por 37,4% do valor total exportado por Minas no período.
Conforme os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), no primeiro bimestre, houve queda na receita das exportações de importantes produtos, como o café e os setores sucroalcooleiro e florestal. Já no sentido contrário, o faturamento gerado com as vendas do grupo de carnes e complexo soja cresceu. Ao todo 397 diferentes produtos agropecuários mineiros foram enviados para 148 países, com destaque para a China, Estados Unidos, Alemanha e Itália.
Ao longo de janeiro e fevereiro, o agronegócio de Minas Gerais movimentou US$ 2,48 milhões com a exportação de 2,77 milhões de toneladas, o que gerou uma queda de 5,2% em valor e alta de 0,3% em volume. As importações do setor caíram 11,9% em valor e retraíram 30% em volume. Com isso, a balança comercial encerrou o intervalo com saldo positivo de US$ 2,2 bilhões.
No período, o valor médio da tonelada de produtos agrícolas e pecuários exportados chegou a US$ 1.657,31, ante os US$ 1.752,79, registrados no primeiro bimestre de 2025, uma queda de 5,76%.
Conforme a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, mesmo com essa retração, Minas Gerais se mantém como o terceiro maior exportador de produtos agropecuários no País, respondendo por quase 11% da receita gerada pelo setor nacional.
“Os dados indicam que o recuo da receita esteve muito mais associado ao comportamento dos preços e ao mix da pauta do que propriamente a uma perda física de embarques”, explicou.
Ainda conforme a assessora da Seapa, a tendência é que, ao longo dos próximos meses, haja recuperação do resultado das exportações. “O café sempre impacta na pauta exportadora do Estado. Neste início de ano civíl, o café arábica está com preços menores na bolsa de valores. Assim, os produtores que estão remunerados pela fase positiva das vendas de café, ficam no aguardo de melhores preços. Com a colheita da nova safra, a tendência é que os embarques voltem a crescer e puxem os resultados do Estado”.
Café registra queda nas exportações
Segundo os dados da Seapa, as exportações de café, principal produto embarcado pelo setor, totalizaram US$ 1,6 bilhão, queda de 8,8% no bimestre. A retração tem como principal fator a diminuição de 28,1% no volume exportado de café, que somou 214,2 mil toneladas.
Já a cotação do grão passou de US$ 5.906,37 por tonelada para atuais US$ 7.492,39 por tonelada, valorização expressiva de 21,16%. Os embarques de café foram responsáveis por 64,7% do total exportado pelo agronegócio de Minas.
“No primeiro bimestre, a Alemanha voltou a liderar as compras de café e, isso, acaba influenciando os demais países da Europa, como a Itália, que comprou 23% a mais. Com o acordo da União Europeia com o Mercosul, a tendência é que as exportações para a Europa como um todo continuem aquecidas”.
Quanto às carnes, o desempenho foi positivo e impulsionado pela conjuntura favorável de preço e demanda, especialmente da carne bovina. A receita de todo setor – bovina, suína e frango – alcançou US$ 274,6 milhões no período, alta de 11,4% em relação ao mesmo período de 2025. O volume total embarcado ficou em 76,2 mil toneladas, 3% a mais.
Entre as principais proteínas exportadas, o faturamento da carne bovina subiu 15,6% e o volume 3,2%, assim, foram destinadas ao mercado externo 35,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 197,8 milhões.
No bimestre, as exportações de frango movimentaram US$ 62,1 milhões, alta de 1,4%. O volume, 32,2 mil toneladas, cresceu 1,9%. Os embarques da carne suína,12,5 mil toneladas, movimentaram uma receita de US$ 12,5 milhões, crescimento de 6,2% e de 11,2% respectivamente.
No mesmo período, o setor sucroalcooleiro movimentou US$ 190 milhões, queda de 3,3%, com o embarque de 535 mil toneladas, representando, assim, uma alta de 27%. Os produtos florestais – celulose, madeira e papel – movimentaram US$ 176 milhões em exportações, valor 10,4% menor. Já o volume embarcado, 303 mil toneladas, caiu 8,1%.
Embarques de soja e ovos são destaques
As exportações do complexo soja movimentaram US$ 130 milhões, com o embarque de 289 mil toneladas, altas de 41,7% e 31,2% respectivamente.
Destaque também para as exportações de ovos. Ainda que com uma participação de 0,1% na composição da pauta exportadora do agronegócio, os embarques cresceram 4,4% em faturamento, US$ 1,5 milhões, e 15,7% em volume, 1,09 mil toneladas.
Conforme a assessora, o resultado foi favorecido pela abertura do mercado chileno para ovos e derivados brasileiros. “Desde 2023 as exportações de ovos acontecem no modelo pre-listing, mecanismo em que os estabelecimentos habilitados pelo serviço oficial brasileiro passam a ser previamente aceitos pelo país importador, sem necessidade de auditoria individual prévia para cada unidade exportadora”.
Esse avanço ampliou as oportunidades comerciais e contribuiu para consolidar o Chile entre as primeiras posições no ranking de destinos, mas a produção mineira de ovos também mantém presença em países como a Mauritânia, Serra Leoa, Gâmbia, Cuba, Colômbia, Itália e Japão.
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