Agronegócio

Falta de frigoríficos certificados atrasa exportação de tilápia em Minas

Apesar de ser o terceiro maior produtor do pescado no Brasil, Minas ainda não possui frigoríficos certificados para exportação
Falta de frigoríficos certificados atrasa exportação de tilápia em Minas
Produtores mineiros de tilápia aguardam que, em 2026, surjam estabelecimentos aptos no Estado para trabalhar o pescado visando o mercado externo | Foto: Divulgação Sergio Scripilliti

Terceiro maior produtor de tilápia do Brasil, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Minas Gerais não exporta o produto por falta de frigoríficos certificados para a comercialização internacional. O setor mineiro espera que, em 2026, já haja estabelecimentos aptos para trabalhar o pescado visando o mercado externo.

“A produção de tilápia em Minas é uma das maiores, mas, em geral, são produtores independentes de frigoríficos pequenos, agricultura familiar e não tem nenhum frigorífico habilitado para exportação. Têm duas ou três empresas que estão trabalhando para habilitar e é uma demanda enorme do setor para desenvolvimento da produção do Estado, mas até hoje não é um exportador”, afirma o presidente da Associação dos Aquicultores e Empresas e Especializadas do Estado de Minas Gerais (Peixe MG), Pedro Rivelli.

Com a falta de frigoríficos para preparar esses peixes, o produtor mineiro acaba enviando parte da sua produção para ser ‘trabalhada’ em outros estados, como Paraná e São Paulo, os dois maiores produtores da proteína no País, mas também para Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) afirma que vem trabalhando junto aos produtores tendo como “objetivo central a profissionalização da cadeia produtiva do pescado, promovendo a integração de seus diversos elos – insumos, produção, processamento e comercialização – por meio da organização em arranjos produtivos locais”, mas ressalta que não tem previsão para que o item seja exportado.

Queda na exportação

O Brasil teve uma queda de 8,5% no volume de tilápias vendidas ao exterior no ano passado. Ao longo de 2025, foram exportadas 15,1 mil toneladas, contra 16,5 mil em 2024. Curiosamente, no primeiro semestre do ano, as vendas chegaram a ter recorde em volume, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A receita também registrou queda de 4% entre os períodos comparados. No último ano, as vendas geraram US$ 55,6 milhões, contra US$ 59,8 milhões em 2024.

No segundo semestre, a queda nas vendas ocorreu devido às sobretaxas de 40% que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs a produtos brasileiros importados. O país é o principal destino da tilápia brasileira, respondendo por 90% vendido para o exterior.

O diretor da Fider Pescados, Juliano Kubitza, aponta que, mesmo que em novembro Trump tenha anunciado a retirada de grande parte das taxas dos produtos brasileiros, a tilápia não foi uma das beneficiadas.

Reservatório de tilápia
Minas Gerais é o terceiro maior produtor de tilápia do Brasil | Foto: Reprodução Adobe Stock

“Isso (a taxação) permanece até hoje. Muitos itens saíram da tarifação norte-americana, mas grande parte da tilápia segue tarifada”, lamenta o diretor de uma das maiores empresas de criação e processamento de produtos de tilápia do País, em São Paulo.

Kubitza aponta que é muito difícil redirecionar um volume tão grande de exportação para outros mercados e que o ideal mesmo é que a taxa seja retirada.

Já Pedro Rivelli também atribui a queda na exportação a um aumento no preço para o mercado interno.

“A redução na exportação tem dois grandes fatores. O preço do peixe subiu no mercado interno e a gente teve a questão do tarifaço que travou, a partir do meio do ano, que é o principal período de compra lá fora, e os Estados Unidos são o destino de 80% das exportações de tilápia e de peixe no Brasil”.

Quarto maior produtor de tilápia do mundo

O presidente da Peixe MG alega que a produção de tilápia foi a proteína que mais cresceu no Brasil na última década e que a previsão do setor é que o País saia de quarto principal criador do peixe para a liderança em cerca de 15 anos.

“Nos últimos 10 anos é a proteína que mais cresce a produção nacional, a gente tem um potencial muito grande. O Brasil é o quarto maior produtor do mundo, caminhando para, até 2030, ser o segundo; e até 2040 se tornar o primeiro”, afirma Rivelli.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas