Agronegócio

Leite de fácil digestão vem ganhando mercado no País e atrai grandes laticínios

Leite A2 não causa inflamações e nem desconfortos intestinais, o que faz com agrega valor
Leite de fácil digestão vem ganhando mercado no País e atrai grandes laticínios
Leite A 2 não causa desconforto intestinal foto: Reprodução Adobe Stock / Alter Photo

O leite A2 vem chamando atenção de grandes empresas de laticínios, apesar da produção ainda ser diminuta se comparada com a tradicional. O produto vem ganhando novos consumidores devido a maior facilidade de digestão em comparação com o mais comum, ou seja, não causa inflamação e desconforto intestinal.

Com isso, empresas como a Piracanjuba e a Muai, da Serra da Mantiqueira, por exemplo, já desenvolveram uma série de produtos feitos exclusivamente com este tipo de leite, que deve ser ordenhado de uma vaca com genótipo A2A2, que produz exclusivamente este tipo de leite. As vacas A1A1 produzem apenas leite A1; e as A1A2 produzem os dois.

Para garantir que os genes do animal sejam os necessários para a produção do leite A2, é necessário que os reprodutores tenham os genes A2A2.

Visando o aumento da produção de produtos decorrentes do leite A2, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) vem desenvolvendo pesquisas em relação à frequência de animais A2A2 em um rebanho leiteiro e, no Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), também ligado à empresa pública, avaliou o uso dele na fabricação de queijo minas frescal.

A veterinária e pesquisadora da Epamig, Débora Gomide, afirma que algumas raças têm maior porcentagem de animais com características genéticas A2, como é o caso do Gir Leiteiro.

“A raça holandesa, que produz maior quantidade de litros de leite, é mais comum encontrar animais da genética A1. Animais mais rústicos, como a raça Gir Leiteiro, tem uma prevalência de animais de genética A2A2. Animais de alta produção, que já tiveram um melhoramento genético maior, costumam ter maior prevalência da genética A1”, afirmou.

Ela também esclarece que outros ruminantes, como os búfalos, que ainda não passaram por muitas medidas de melhoramento genético, tendem a produzir leite A2.

Para garantir que o leite que chega às prateleiras dos supermercados sejam de produtores que dispõem deste tipo de produto, foi criada a certificação “Vacas A2A2”, que valida a produção e a industrialização do produto. Esse selo também facilita a rastreabilidade do leite e seus derivados.

Vacas
Algumas raças têm maior porcentagem de animais com características genéticas A2 | Foto: Divulgação Epamig

“O pecuarista que quer começar essa produção tem que primeiro fazer o teste genético dos animais que tem no rebanho para identificar quais tem o genótipo A2A2. Há todos esses gastos na avaliação genética dos animais e certificação, mas também é possível ter um lucro maior, porque é um leite de maior valor agregado”, reforça .

Suporte aos pecuaristas

Débora Gomide reforça a disponibilidade para dar suporte a qualquer produtor leiteiro de Minas Gerais. “A Epamig está sempre aberta para orientar como produzir o leite A2, como entrar no negócio ou mesmo para qualquer assistência”, afirmou.

Atualmente, segundo a pesquisadora, a produção deste tipo de leite no Brasil está abaixo de 1%. Ela espera que, com a existência da demanda, o setor cresça nos próximos anos.

O alimento ser de mais fácil digestão faz com que o produto tenha um maior valor agregado. A confirmação vem de produtores. “No mercado, ele tem, sim, um valor um pouco maior”, afirma a gerente de pecuária leiteira da Bom Retiro Agronegócios, Anna Pinto. A empresa, que fica em Pouso Alto, na Serra da Mantiqueira, é fornecedora da Muai, mas a gerente não informou qual é o valor de venda hoje do leite A2 para o laticínio.

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