Minas vai investir mais de R$ 17 milhões na defesa agropecuária

Objetivo é se preparar para ser reconhecida internacionalmente como livre da febre aftosa sem vacinação

6 de fevereiro de 2024 às 14h44

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Divulgação/ IMA

Minas Gerais pretende investir, até 2025, mais de R$ 17 milhões na defesa agropecuária. O plano é se preparar para apresentar à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) no próximo ano, junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), um pleito para que o Estado seja reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação

O montante será destinado aos serviços de rastreamento de frota, treinamentos, ações educativas e compra de equipamentos diversos para o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA),  autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG) e responsável pelo monitoramento e defesa sanitária animal e vegetal em Minas

Em 2023, Minas já havia sido autorizada pelo Mapa a suspender a imunização dos rebanhos contra a doença. Isso gerou uma economia de mais de R$ 700 milhões para o setor no ano passado, segundo a Seapa, considerando os gastos com imunizantes e pessoal para aplicação das vacinas. 

Com o novo investimento de Minas Gerais na defesa agropecuária, o governo deve comprar 25 drones no valor total de R$ 600 mil, ainda em 2024, para monitorar as áreas de difícil acesso e rodovias. Os equipamentos vão permitir que os fiscais do órgão consigam mapear as áreas de maior risco para surgimento e disseminação do vírus da febre aftosa.

Além disso, também está prevista a aquisição de sistemas de rastreamento de veículos para que o IMA possa agir com mais eficiência em caso de uma emergência sanitária que deva ser contida rapidamente, por exemplo.

O médico veterinário e diretor técnico do IMA, Guilherme Negro, explica que os novos equipamentos também irão auxiliar no mapeamento de rodovias para fiscalizar caminhões que trafegam animais e outros produtos do setor agropecuário. Além disso, a fiscalização será ampliada em propriedades de maior risco e com a facilidade de contagem e controle dos animais sem precisar manejá-los. 

“A gente espera estar preparado para comprovar a ausência da circulação viral da febre aftosa em nosso rebanho e, com a robustez do nosso serviço de vigilância, buscamos ter sucesso neste reconhecimento internacional”, diz. 

A capacitação do corpo técnico do Instituto também vai continuar. No ano passado, mais de 100 técnicos já foram treinados para identificarem doenças vesiculares nos animais, como a própria febre aftosa, além de pragas da área vegetal.  

Histórico de vacinação 

Até 2022, os produtores mineiros de bovinos e bubalinos tinham de vacinar seus animais contra a febre aftosa em duas etapas, nos meses de maio e novembro. As campanhas de vacinação já vinham sendo realizadas havia mais de 40 anos em Minas. 

Com a suspensão da vacinação no ano passado, os produtores passaram a ter de manter seus dados de rebanho atualizados no Instituto. 

A chamada Campanha de Atualização de Rebanhos acontece nos meses de maio e junho, desde 2023. Além de bovinos e bubalinos, outras espécies como galinhas, peixes, abelhas, ovinos e caprinos, também precisam ser cadastradas no IMA e terem seus dados atualizados. 

Transformação digital no Agro

Por isso, também faz parte do plano de se ver formalmente livre da febre aftosa um convênio do IMA com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) ainda neste ano, para o desenvolvimento de um novo software de defesa agropecuária

O novo sistema, que utilizará inteligência artificial, conta com mais recursos e agilidade no processamento de dados do que o sistema utilizado atualmente. Isso vai permitir extrair informações com mais rapidez para a tomada de decisões, além de oferecer ao produtor rural acesso a uma quantidade maior de serviços digitais.

“O Sidagro [sistema utilizado atualmente] é uma das referências nacionais de sistema de defesa agropecuária, mas a gente espera que o desenvolvimento de um novo sistema permita a automação e uma análise de dados mais efetiva e mais assertiva com a utilização de inteligência artificial e painéis de BI instantâneos para que os gestores e veterinários tenham um mapeamento mais claro das propriedades de maior risco à introdução e disseminação do vírus da febre aftosa e outras doenças”, conclui Negro. 

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