Com apoio da Faemg Senar, monjas retomam produção de mel após enchente em Juiz de Fora
A produção de mel foi a atividade encontrada por três monjas para ajudar a custear o mosteiro onde vivem, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. O negócio, porém, foi interrompido pela força da água em 23 de fevereiro, durante os temporais que marcaram o município no verão deste ano. Agora, o trio recebe ajuda e se reestrutura para voltar com a produção que, só no ano passado, rendeu quase 200 quilos do alimento.
“Foi muito triste. Um trabalho de quase três meses que estávamos fazendo, com alimentação das abelhas para crescerem os enxames, e elas estavam muito fortes. Quando vimos, deu vontade de chorar, mas pensamos em começar de novo. Graças a Deus a gente está conseguindo retomar, com a ajuda do pessoal”, afirma irmã Raquel, que comanda o trabalho juntamente com as irmãs Catarina e Tereza Paula, do Mosteiro da Santa Cruz.
A irmã lembra que o apiário estava construído ao lado de um rio, a 20 quilômetros do Centro de Juiz de Fora. Lá, tinham 18 colmeias, protegidas por uma estrutura que criava sombra para os insetos. Tudo, no entanto, foi levado pelas águas.

Apoio para recomeçar
Depois do caos dos temporais, as monjas estão, aos poucos, retomando o trabalho. Nesse processo, o apoio do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Sistema Faemg Senar, tem sido essencial. Foi a partir dele que o trio decidiu mudar a localização do novo apiário para longe do rio, por exemplo.
“O grupo se mobilizou e ofereceu enxames para que elas possam repovoar o apiário mais rapidamente. O bom das abelhas é a abundância. Elas se multiplicam e agora as irmãs têm a chance de aumentar as colônias e, consequentemente, a produção”, diz o zootecnista Arthur Sodré, técnico do ATeG. Com o apoio de produtores e membros da Associação de Apicultores de Juiz de Fora e Região (Apijur), elas receberam doações e, atualmente, têm nove colmeias.
Segundo Sodré, Raquel, Catarina e Tereza Paula também receberam recomendações técnicas de manejo das colmeias, contabilidade, gestão, formação de preços de venda. “Com isso, tiveram não só melhorias na produtividade, mas também no retorno sobre o capital investido, sobre a remuneração em cima do mel produzido”, completa Sodré.
Trabalho do trio de monjas foi premiado

A criação de abelhas por monjas em Juiz de Fora é antiga e remonta à década de 1960. A atividade cessou durante alguns períodos, mas foi retomada em 2018. Em maio deste ano, já no processo de recuperação após as chuvas, o trabalho das monjas Raquel, Catarina e Tereza Paula foi agraciado como destaque do programa ATeG na cadeia de apicultura.
De acordo com o Sistema Faemg Senar, um dos motivos foi o comprometimento das religiosas no apoio oferecido pela entidade. Agora, a expectativa é que, em alguns meses, as novas colmeias já estejam produzindo e as vendas sejam retomadas.
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