Agronegócio

Importação de morango do Egito cresce 221% e preocupa produtores de Minas

Estado é maior produtor da fruta do País; volume importado do Egito cresceu 221% em janeiro frente ao mesmo mês de 2025
Importação de morango do Egito cresce 221% e preocupa produtores de Minas
Minas Gerais conta com cerca de 11 mil produtores de morangos, sendo o principal estado no segmento | Foto: Divulgação Sistema Faemg Senar

A importação de morango congelado do Egito está prejudicando a produção da fruta em Minas Gerais, estado que é o maior produtor do País. Em janeiro de 2026, o volume importado da fruta egípcia pelo Brasil cresceu 221% frente a igual mês de 2025. Produtores mineiros já sentem os efeitos negativos dos altos volumes no mercado, entre eles, a redução dos preços e das vendas para as indústrias. A concorrência é considerada desleal, isso, devido ao morango egípcio ser comercializado, em média, a R$ 15 no mercado interno, e exportado pelo preço médio de R$ 7 ao Brasil, gerando assim, um forte indício de dumping.

De acordo com a analista técnica do Sistema Faemg Senar, Mariana Moreira Marotta, o aumento da importação do morango egípcio vem ganhando escala nos últimos anos, após acordo comercial firmado entre o Egito e o Mercosul em 2010. A partir de 2017, houve a regulamentação do comércio e o estabelecimento gradual da redução tarifária de importação.

“A partir de 2022, o morando egípcio começou a ingressar no mercado nacional. De 2023 a 2025, o volume cresceu mais de 800%, resultado da redução tarifária que chega a 60%. Em 2025, entraram 41 mil toneladas do produto no mercado nacional, o que é muito expressivo e prejudica o produtor mineiro. O volume segue em crescimento e, agora em janeiro, foram importadas 3,3 mil toneladas, uma alta de 221% frente a janeiro do ano passado”, analisou.

Minas Gerais é o principal produtor de morango da América Latina. Em 2023, o Estado produziu cerca de 190 mil toneladas da fruta em aproximadamente 4.800 hectares, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A produção se concentra no Sul de Minas, com destaque para a microrregião de Pouso Alegre. A atividade tem forte impacto social, isso porque 98% dos produtores são da agricultura familiar, envolvendo cerca de 11 mil agricultores e gerando renda e empregos no meio rural.

Mesmo com a produção relevante, as importações de morango estão em alta. Em 2025, Minas Gerais importou cerca de US$ 2,3 milhões em morangos e derivados, segundo dados da Agrostat Estatísticas de Comercio Exterior do Agronegócio Brasileiro. O volume chegou a aproximadamente 2 mil toneladas. No ano anterior, as compras haviam somado US$ 658 mil e 743,57 toneladas, o que representa crescimento de 164% em volume.

“Com a concorrência desleal, produtores do Estado estão perdendo mercado, uma vez que a indústria tem priorizado a compra do morango importado pelo menor custo. Isso prejudica muito o produtor rural. A cultura do morango exige muita dedicação, mão de obra e investimentos. Os custos de produção são crescentes, enquanto os preços pagos estão em queda”, disse Mariana Marotta.

ALMG aponta concorrência desleal

Em busca de alternativas para manter a sustentabilidade econômica dos produtores mineiros, a Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou uma audiência pública. Durante a reunião, o solicitante da audiência, o deputado Dr. Maurício (Novo), destacou a diferença de preços registrada no valor do morango comercializado no mercado egípcio e o valor de exportação.

Segundo o deputado, enquanto o morango egípcio é comercializado em média a R$ 15 o quilo no mercado interno, a fruta é exportada por cerca de R$ 7 ao Brasil. Já o custo médio de produção do morango em Minas Gerais, conforme Dr. Maurício, é de R$ 8,50. A diferença, segundo o deputado, mostra indícios da prática de dumping.

“Desta forma, fica difícil competir. Outro dado que fez a gente ficar assustado é o preço do frete. Enquanto o produtor no Sul de Minas gasta cerca de R$ 0,92 por quilo para levar o morango até Salvador – região grande compradora do morango mineiro -, o frete do importado custa R$ 0,30. Isso chama a atenção, é preciso repensar e estudar. Por mais que não haja investigação formal antidumping pelo governo brasileiro, a análise econômica e objetiva revela indícios consistentes de concorrência desleal”, avaliou o parlamentar.

Produtores de morango registram prejuízos em Minas Gerais

Conforme informações do Sistema Faemg Senar, produtores rurais estão registrando perdas e prejuízos com a concorrência desleal. Um exemplo é o da produtora Solange de Oliveira Paiva, que tem 140 mil pés de morango plantados em Ipuiúna, no Sul de Minas.

A produtora registrou forte queda no preço do morango comercializado com indústrias para a fabricação de polpa ou suco. Neste caso, o preço caiu de R$ 17, no fim do ano passado, para R$ 8 em fevereiro deste ano. No morango de bandeja, frutos mais graúdos, o preço caiu para R$ 7 por caixa com quatro cumbucas de morango. Na mesma época do ano passado, o valor pago variava entre R$ 10 e R$ 13.

Já a produtora Iasmin Ribeiro e Silva, do município de Alfredo de Vasconcelos, no Campo das Vertentes – outra região que se destaca na produção de morangos -, viu o faturamento despencar devido ao crescimento da concorrência no morango congelado. “Parte da produção era vendida congelada e nós perdemos esse mercado. Para tentar escapar dos baixos preços na Ceasa, estamos negociando diretamente com os supermercados”, confirmou.

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