Produção de feijão em Minas tende a crescer 8,6% e alcançar 502,6 mil toneladas na safra 2026
No dia 10 de fevereiro, é comemorado o Dia Mundial do Feijão e Minas Gerais segue como um importante produtor do grão. Com um cenário mais atrativo, a safra 2026 no Estado, que é o segundo maior produtor atrás somente do Paraná, tende a alcançar 502,6 mil toneladas, um aumento de 8,6% frente à safra passada. O Dia Mundial do Feijão foi instituído para exaltar a importância do grão na alimentação e na economia.
No caso da alimentação, o feijão é uma das principais fontes de proteína, ferro e fibras para a população brasileira. Ao instituir um dia, o objetivo foi promover o consumo consciente e combater a desnutrição.
Já em relação à importância econômica, em Minas Gerais, ao longo de 2024, o grão foi cultivado em 775 municípios. Entre os maiores produtores estão Unaí, com 66,3 mil toneladas, Paracatu, 61,8 mil toneladas, Guarda-Mor, com 28,8 mil toneladas, São João del Rei, 18,6 mil toneladas, e Perdizes, com a colheita de 16,7 mil toneladas de feijão.
“Minas Gerais tem grande representatividade na produção de feijão sendo o maior estado produtor da região Sudeste e o segundo maior do Brasil. A safra de feijão apresenta expectativas muito boas, com uma alta significativa. Mas, é importante ressaltar que estamos no início da safra e é preciso esperar para saber se os dados irão se conformar ou não”, explica a analista técnica do Sistema Faemg, Mariana Moreira Marotta.
Recuperação da produtividade
Para 2026, conforme os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa é que a produção total mineira de feijão alcance 502,8 mil toneladas, um incremento de 8,6% frente ao ano passado. A alta resultou, principalmente, do ganho em produtividade, estimada em 1,75 tonelada por hectare e superando em 8,4% a obtida na safra anterior. Somente na primeira safra de feijão, a produção deve alcançar 205,2 mil toneladas, aumento de 11%.
Os dados da Conab mostram ainda que o cenário para o desenvolvimento do grãos segue mais favorável que o da safra anterior. Os técnicos da Conab destacam, no relatório de safra, que “a maior regularidade das chuvas, somada à participação da irrigação suplementar em algumas das regiões produtoras, ajudaram no avanço e conclusão do plantio do feijão neste primeiro ciclo, bem como no desenvolvimento da cultura até então”.
As lavouras, que estão, majoritariamente, nos estágios de floração e enchimento de grãos, apresentaram boa resistência nos períodos de escassez pluviométrica e de calor, que assolaram grande parte das regiões produtoras em determinado momento do ciclo.
A analista técnica explica que, no momento, as chuvas regulares são ótimas para o desenvolvimento da primeira safra, mas podem atrasar a colheita e outras ações no campo. “A gente começou a safra com um volume bom de chuva, passamos por um período sem precipitações e agora está mais regular. Acredito que será uma safra boa, mas vamos esperar para confirmar. A primeira safra do grão é muito representativa e representa 45% da safra estadual”, confirma.
Mosca-branca
Desafio para os produtores é a presença da mosca-branca, transmissora do vírus do mosaico dourado, que pode ser um potencial problema. Conforme Mariana Moreira, nas últimas safras, produtores mineiros relataram aumento da presença da praga em campo, assim, em conjunto com a CNA e a Embrapa Arroz e Feijão, a Comissão de Grãos da Faemg está buscando a implantação de mais um período de vazio sanitário nos municípios que já adotam o manejo.

“Está em análise a possibilidade de se pedir a implantação de mais um período de vazio sanitário para o feijão, que aconteceria entre a segunda e a terceira safra. A medida seria importante para controlar a mosca branca e reduzir a incidência nas safras”, relata a analista da Faemg.
Preços do feijão iniciam ano em alta
Quanto aos preços do feijão, conforme o Centro Estudo Avançado em Economia Aplicada (Cepea), a demanda aquecida ao longo de janeiro, aliada à postura firme dos produtores, resultou em fortes altas. Assim, o feijão preto tipo 1 registrou avanço de 14,5% no preço médio em relação aos de dezembro de 2025. O movimento fez com que a cotação voltasse, em termos nominais, aos maiores patamares desde abril de 2025. Mesmo assim, seguiu 15,2% abaixo da média de janeiro de 2025. No Noroeste de Minas Gerais, o preço médio da saca de 60 quilos fechou a R$ 177.
Já no caso do feijão carioca, nota 9 ou superior, os preços médios reagiram 5,4% em relação aos de dezembro de 2025. Desta forma, ficaram 10,5% superiores aos de janeiro de 2025. No dia 6 de fevereiro, a saca do grão estava cotada a R$ 294,47.
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