Agronegócio

Produção mineira de azeite deve bater recorde em 2026

Condições climáticas na Serra da Mantiqueira fizeram contribuíram para uma boa produção
Produção mineira de azeite deve bater recorde em 2026
Projeção para este ano é produção de 200 mil litros de azeites; pomares na região da Serra da Mantiqueira estão carregados | Foto: Divulgação Olivais Gamarra

O início da colheita de azeitonas em Minas Gerais vem animando os produtores, principalmente os da região da Serra da Mantiqueira, que estão com perspectivas de produção recorde de azeite em 2026, graças às boas condições climáticas a que as oliveiras estiveram sujeitas ao longo do ano anterior.

Normalmente, a colheita do fruto no Estado ocorre a partir de fevereiro, mas, devido ao bom clima, a prática foi antecipada para a segunda quinzena de janeiro e deve seguir até março, dentro do prazo normal.

Este cenário deixou os olivicultores otimistas para o ano. O setor estima que a produção de azeite deste ano deve ser de 200 mil litros. O resultado seria consideravelmente superior ao de 2024, quando a produção foi recorde, quando chegou a 150 mil litros.

“O ano de 2026 é de boas perspectivas de produção. Porque o ano passado teve um clima bom, fez bastante frio, proporcionou uma floração mais intensa nos olivais, então estamos com os pomares muito carregados”, afirmou o coordenador da Câmara Técnica de Olivicultura da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa-MG) e presidente da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (AssoOlive), Moacir Batista Nascimento.

Ele celebra o otimismo, ainda mais em comparação com a safra de 2025 que foi bem abaixo do que vinha sendo produzido, em torno de 60 mil litros, já que, em 2024, a região enfrentou altas temperaturas nos meses que antecederam à colheita.

Colheita em olivais
Colheita no Estado que normalmente ocorre a partir de fevereiro, foi antecipada | Foto: Divulgação Olivais Gamarra

Para a oliveira florescer, processo fundamental para a frutificação, é necessário que a árvore tenha mais de 300 horas de frio, em temperaturas abaixo dos 12°C e que receba água no momento certo. Por isso, a importância da chuva durante o período da produção. Entre a floração e a colheita são cerca de seis meses.

Maior produtor de azeite do Sudeste

A região da Serra da Mantiqueira é a principal responsável pela produção de azeites do Sudeste, muito devido a ser uma área de elevadas altitudes e temperaturas frias – cenário ideal para as plantas.

Nascimento estima que Minas Gerais tenha entre 100 e 150 produtores, sendo que mais da metade está na Serra da Mantiqueira.

“A região é a maior produtora do Sudeste, porque concentra a maioria dos produtores. Começa em Barbacena, desce para o Sul de Minas, ultrapassa o limite de São Paulo e, nessa linha, começou todo processo da olivicultura na região em 2008”, comentou.

A boa notícia é que a olivicultura vem se espalhando por outras regiões do Estado. Nascimento cita a Cordilheira do Espinhaço, que vai de Minas Gerais até o norte da Bahia; Itabirito, Ouro Preto e Diamantina, Vale do Jequitinhonha , em áreas que têm altitudes por volta dos 1.200 metros.

“Isso (as plantações em outros locais) faz com que a gente precise muito de pesquisa e desenvolvimento para que consiga avaliar locais mais adaptados, com menos exigência em frio”, afirmou o presidente da AssoOlive.

Produtores premiados

A olivicultora Vanessa Bianco, sócia da Olivais Gamarra, junto do marido Cláudio Ferreira, já teve azeites premiados em concursos nacionais e internacionais.

Cláudio Ferreira e Vanessa Bianco
Cláudio Ferreira e Vanessa Bianco, da Olivais Gamarra, estão bastante otimistas | Foto: Divulgação Olivais Gamarra

“O nosso azeite de limão siciliano, que é um azeite saborizado, foi escolhido um dos cinco melhores azeites saborizados do Hemisfério Sul”, afirmou ela. O produto foi premiado na Flos Olei 2023 realizada na Itália.

Vanessa Bianco, que é pioneira na produção de oliveiras em Baependi, no Sul de Minas, também se mostra otimista com a produção deste ano.

“A previsão para este ano está muito boa. Dentre os últimos, esse ano está sendo muito feliz para os olivicultores aqui da Mantiqueira. A chuva veio na hora certa, o frio veio também na hora certa”, celebrou.

A estimativa é que para a produção de um litro de azeite sejam gastos entre oito e dez quilos do fruto. A quantidade varia segundo a qualidade, a maturação e o rendimento dos equipamentos extratores.

Com produções ainda pequenas e médias, Moacir Nascimento afirma que a comercialização dos azeites acaba ficando restrita às próprias fazendas ou a empórios da região.

“O preço do azeite varia muito de acordo com a propriedade. A grande maioria dos azeites daqui de Minas é comercializada em fazendas e pequenos empórios. São produtos de alta qualidade e acabam sendo vendidos pontualmente”, afirmou.

O preço do produto artesanal vindo da Serra da Mantiqueira pode variar, em média, entre R$ 80 e R$ 120 a garrafa de 250 ml.

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