Proibição da França a frutas sul-americanas deve ter impacto limitado em Minas
O impacto da proibição da França de importação de frutas da América do Sul será mínimo para a produção mineira, afirmou a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG). Autoridades francesas afirmaram, em suas redes sociais, que itens que tiverem resíduos de carbendazim, glufosinato, mancozebe e tiofanato-metílico – vetados pelas regras sanitárias da Europa – não serão autorizados a ingressar no mercado.
A secretaria aponta que a França é apenas o 10º destino das exportações mineiras de frutas, com 160 toneladas e US$ 229 mil, o que representa 1,0% do valor e 1,3% do volume total das exportações do setor. Os dados são referentes ao período de janeiro a novembro de 2025.
“O impacto direto sobre Minas Gerais tende a ser limitado, dada a baixa participação francesa na pauta exportadora estadual. No entanto, efeitos indiretos podem ocorrer, como desvio de fluxos comerciais para outros mercados europeus, pressão competitiva nos Países Baixos e no Reino Unido e possível redução de preços médios, caso haja excesso de oferta regional. Esse cenário reforça a importância da diversificação de destinos, da agregação de valor e do fortalecimento de mercados estratégicos já consolidados para mitigar riscos comerciais”, afirmou a Seapa por meio de nota enviada ao Diário do Comércio.
“Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs da América do Sul ou de outros lugares não serão mais permitidos no território nacional”, disse, no domingo (4), nas redes sociais, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu.
O produtor e associado à Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), Fernando Rogério Moreno, afirma que, com a possibilidade de proibição, decidiu interromper o uso do glufosinato – herbicida para plantas daninhas – para não deixar de vender para o país, mas que vem estudando uma alternativa.
“Os outros inseticidas, a gente já não usa mais. O que mais nos prejudicou foi o glufosinato”, afirmou Moreno.
A quase totalidade, segundo o governo de Minas Gerais, de itens exportados para os franceses é de mamão. O líder em exportações mineiras na Europa são os Países Baixos, que importam US$ 6,4 milhões, o que equivale a 28% do valor que o Estado exporta para o continente.
Contudo, o produtor de limão taiti, Fernando Rogério Moreno, empresário da Mundial Frutas, afirma que a medida tomada pela França pode afetar as exportações para todo o bloco. “A gente exporta para a União Europeia, manda para Roterdã e lá distribui para todos os destinos”, ressalta.
Carbendazim
Em 2022, o Brasil proibiu a comercialização do fungicida carbendazim devido ao risco de causar câncer e prejudicar a capacidade reprodutiva humana.
O tiofanato-metílico também está em processo de retirada do mercado, pois, segundo a Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), também traz risco de carcinogenicidade e toxicidade para o desenvolvimento humano.
As demais substâncias têm uso aprovado no Brasil.
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