Agronegócio

Minas Gerais deve colher 32,4 milhões de sacas e liderar safra recorde de café no Brasil em 2026

Estado projeta crescimento de 25,9% na produção, com avanço de produtividade e aumento de área produtiva
Minas Gerais deve colher 32,4 milhões de sacas e liderar safra recorde de café no Brasil em 2026
Café | Crédito: Paulo Whitaker / Reuters

A primeira estimativa para a produção de café em 2026 aponta para uma safra recorde no Brasil, com 66,2 milhões de sacas, alta de 17,1% frente a 2025. Minas Gerais será o principal responsável pelo volume produzido, com a colheita total projetada em 32,4 milhões de sacas, 25,9% maior em comparação ao volume da safra anterior.

A alta, conforme o 1º Levantamento da Safra de Café 2026, produzido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é justificada pelo ciclo de bienalidade positiva e pela melhor distribuição das chuvas, principalmente nos meses precedentes à floração.

Em Minas Gerais, é esperado avanço de 18,4% na produtividade das lavouras, que pode atingir rendimento médio de 28,5 sacas de 60 quilos por hectare. Devido aos preços valorizados, houve maior investimento na cultura por parte dos produtores, incluindo o aumento da área. Na safra 2026, a área produtiva será de 1,54 milhão de hectares, 4,1% maior do que na safra passada.

Entre as espécies cultivadas em Minas Gerais, o café arábica é o destaque. Na safra 2026, a Conab projeta produção de 31,8 milhões de sacas, alta de 26,4%. Para o conilon, a perspectiva é de colheita de 602,2 mil sacas, o que representa incremento de 3,1% sobre a safra 2025.

Conforme o gerente de Acompanhamento de Safras da companhia, Fabiano Vasconcellos, as chuvas favoreceram as floradas no segundo semestre de 2025. Assim, até o momento, o clima para a safra 2026 tem sido bem melhor do que o da safra anterior.

“As lavouras estão se desenvolvendo sob condições climáticas bem mais favoráveis do que na safra 2025. Em relação às temperaturas, até setembro elas se mantiveram abaixo da média, permitindo a recuperação das lavouras após a colheita e favorecendo o desenvolvimento dos ramos produtivos. No restante do ano e no início de 2026, o cenário se manteve favorável, com chuvas mais regulares, contribuindo para a recuperação”, explicou.

Ainda segundo ele, além do aumento da produtividade, a área de café em Minas Gerais cresceu nos últimos anos. “A área em produção vem crescendo nas últimas safras, reflexo das condições de mercado favoráveis, que estimulam os produtores a investir mais”, pontuou.

Produção de café será maior em todas as regiões de Minas Gerais

Conforme os dados da Conab, a produção de café em 2026 crescerá em todas as regiões de Minas Gerais. No Sul do Estado, maior região produtora, é esperado incremento de 21,4% no volume, que pode alcançar 14,6 milhões de sacas. A alta é explicada pelo aumento de 16,8% na produtividade média e pelo crescimento de 3,9% na área produtiva.

No relatório, os técnicos da Conab destacam que “de maneira geral, o panorama atual no Sul de Minas é de lavouras relativamente bem enfolhadas, beneficiadas pela melhor distribuição das chuvas, ainda que em baixo volume, e com bom pegamento dos chumbinhos”.

Eles destacam ainda que as cotações da saca de café vêm atingindo patamares recordes e que “os produtores estão capitalizados e aproveitando as boas condições climáticas para realizar os tratos culturais recomendados para o período, além de fomentar o aumento da área destinada à produção de café”.

O maior incremento na safra de café é esperado no Cerrado Mineiro, que engloba as regiões do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste. A Conab prevê avanço de 46,5% no volume de café produzido em 2026, chegando a 6,99 milhões de sacas.

A alta expressiva se deve à recuperação da produtividade, que nos últimos anos foi prejudicada por condições climáticas desfavoráveis, incluindo geadas, secas prolongadas, altas temperaturas e chuvas abaixo da média. O rendimento por hectare foi estimado em 31,9 sacas, 30,8% a mais. A área, de 219 mil hectares, cresceu 12%.

Conforme o relatório da Conab, no Cerrado, “após dois anos de baixa produção, as lavouras se recuperaram bem na fase de crescimento vegetativo da safra 2026 e, mesmo com um início de ciclo reprodutivo comprometido pela seca logo após a florada, estima-se nesta safra um aumento considerável de produtividade em relação à safra passada, também pela ação da bienalidade positiva prevista para esse ciclo”.

Na Zona da Mata, Rio Doce e Central, a estimativa é colher 9,7 milhões de sacas, aumento de 21%. Alta de 20% na produção de café é esperada no Norte, Jequitinhonha e Mucuri, com a estimativa de colher 1,05 milhão de sacas do grão.

Preços recuam com estimativa de safra maior, mas seguem em patamares lucrativos

A perspectiva de uma safra maior de café, segundo o gerente de Fibras e Alimentos Básicos da Conab, Gabriel Rabello, tem provocado retração nos preços do grão. Porém, os valores se mantêm em patamares ainda elevados.

Segundo ele, o preço do café, nos últimos 24 meses, subiu vertiginosamente devido aos estoques baixos do grão no mercado mundial. Na última semana, porém, a cotação apresentou queda, passando de R$ 2,2 mil para R$ 2,1 mil e, atualmente, para R$ 1,9 mil.

“Isso aconteceu pela expectativa de safra maior. Mas o café é um produto muito sensível, e qualquer intempérie afeta. Ainda temos o inverno, quando pode ocorrer geada. No momento, a tendência macroeconômica é de sustentação de preços pelos estoques restritos, mas podemos adicionar uma possível camada de volatilidade, a depender da evolução do clima nos próximos meses”, explicou.

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