Sebrae subsidia fertilização in vitro e impulsiona produtividade do leite em Minas
Com subsídios que chegam a 70%, o programa Sebraetec FIV, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), permite que pequenos e médios produtores de Minas Gerais melhorem a produtividade do rebanho leiteiro por meio da Fertilização in Vitro. Em curso desde 2020, o projeto é importante para que os produtores ampliem a competitividade através do melhoramento genético, o que pode resultar no aumento da produtividade, garantindo, assim, melhores condições para enfrentar as oscilações do mercado do leite.
Em Caratinga, na região do Rio Doce, o Sebrae trabalha de maneira intensa para a realização do projeto. Somente em 2026, a previsão é investir cerca de R$ 300 mil. Em 2025, em torno de 60 produtores, localizados em 19 municípios da microrregião, participaram do projeto e a estimativa é de aumento do número.
A consultoria inclui o protocolo hormonal, acompanhamento da sexagem e dura aproximadamente seis meses, com garantia de 20% de sucesso. Cada produtor participante trabalha com, no mínimo, 5 embriões, sendo garantida pelo mesmo uma prenhez.
Para participar, o produtor precisa de um veterinário próprio que forneça um laudo atendendo a um checklist do Sebrae, que atestará que as receptoras possuem nutrição adequada, sanidade e que a propriedade tem estrutura para o projeto. A genética é definida no checklist, e a escolha do touro e da matriz é feita em visita inicial com o produtor, conforme sua necessidade.
Conforme a analista do Sebrae Minas, Mirelly Cotta Viana, a iniciativa visa acelerar a produção de bezerras de alta qualidade, impactando a produtividade do leite. “O que a gente tem visto na região, dos projetos que nós fizemos, é uma taxa de 60% a 70% de retorno”, explica.
Ela explica ainda que entre os principais benefícios que têm atraído os produtores de leite estão os custos acessíveis. O produtor arca com 30% do custo do projeto, enquanto o Sebrae subsidia os 70% restantes. “Em média, um embrião custa R$ 181,50 ao produtor, sendo que o Sebrae paga R$ 605. É um valor muito em conta, assim, o pequeno produtor tem condições de acessar o melhoramento genético”.
Um dos participantes do Sebraetec FIV é o produtor rural Paulo César dos Santos, do Sítio Boa Esperança, em Inhapim. Santos ingressou no projeto em 2022 e já registra resultados positivos.
“Em 2022 fui convidado para participar e me interessei pelo preço acessível. Antes, paguei algumas FIVs e o custo chegou a R$ 1,2 mil por bezerra confirmada e pelo projeto ficou muito mais em conta. Através do programa estou melhorando a genética dos animais de forma rápida e com custo mais acessível. Espero produzir mais leite por vaca. Aqui no sítio, duas das bezerras do projeto já pariram e estão com uma média muito boa, cerca de 20 a 25 litros no primeiro parto”.
Ainda segundo Santos, a melhoria genética é uma ferramenta importante para ampliar a produtividade, tornar a produção mais competitiva e enfrentar os períodos de crise de preços do leite, como a enfrentada atualmente.
“O preço do leite caiu muito no último ano e está massacrando os produtores há cerca de oito meses. Muitos produtores desanimaram da atividade. Investir no melhoramento do rebanho ajuda a diminuir os custos com animais mais produtivos. Assim, o produtor consegue se manter no mercado, mesmo com os preços mais baixos. A iniciativa me ajudou muito e vai continuar ajudando, com a FIV e as futuras matrizes produzindo mais leite a um custo mais competitivo”, explicou.
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