Agronegócio

Suinocultura mineira adota práticas de bem-estar para elevar produtividade

Seminário técnico em Pará de Minas, um dos polos do setor em Minas, discute implementação de normativas da Portaria 798; granjas mineiras já adotam práticas para melhor qualidade de vida dos animais
Suinocultura mineira adota práticas de bem-estar para elevar produtividade
Estado tem hoje 4º maior plantel de suínos do Brasil, com mais de 339 mil matrizes | Foto: Higor Barreto / Asemg

Na suinocultura de Minas Gerais, o bem-estar animal se tornou parte da estratégia para uma produção eficiente e sustentável. Além das questões éticas, a adoção de práticas que promovam o bem-estar do suínos reflete diretamente no ganho em produtividade e qualidade dos produtos, gerando, assim, um melhor retorno para o suinocultor.

Conforme o presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), Donizetti Ferreira Couto, os investimentos em bem-estar animal no Estado, assim como em todo o Brasil, têm avançado de forma consistente nos últimos anos, mostrando uma maior profissionalização da suinocultura.

“Observamos uma profissionalização crescente do setor, com produtores adotando melhorias em ambiência, manejo, biosseguridade e capacitação de equipes. Esse movimento é impulsionado tanto por exigências de mercado quanto por uma mudança de mentalidade, que reconhece o bem-estar como parte estratégica da produção eficiente e sustentável”.

Entre as principais práticas adotadas nas granjas do Estado são destaques o manejo racional dos animais, a melhoria das instalações para garantir conforto térmico, ventilação adequada e espaço suficiente, além de protocolos sanitários rigorosos. Também há avanço no uso responsável de antimicrobianos, com foco em prevenção, biosseguridade e acompanhamento técnico. A capacitação das equipes é outro ponto considerado central, já que o fator humano impacta diretamente o bem-estar animal.

Os investimentos para garantir conforto aos suínos, segundo Couto, são estimulados pelo bem-estar se relacionar diretamente com a maior produtividade e rentabilidade. “Animais bem manejados apresentam melhor desempenho zootécnico, menor incidência de doenças, melhor conversão alimentar e redução de perdas. Isso se traduz em maior eficiência produtiva e, consequentemente, em melhores resultados econômicos. Além disso, o atendimento a padrões de bem-estar abre portas para mercados mais exigentes e valorizados”.

Para orientar os suinocultores e estimular ainda mais um manejo sustentável, a Asemg, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e a Cooperativa dos Granjeiros do Oeste de Minas (Cogran) realizam, nesta quarta-feira (25), em Pará de Minas, um Seminário Técnico que discutirá a implementação das normativas de bem-estar animal e os desafios da Portaria 798/2023, além do uso racional e eficiente de antimicrobianos na produção. A Portaria 798/2023 estabelece diretrizes que impactam diretamente a rotina das granjas e exigem adequações técnicas, operacionais e documentais. Paralelamente, as exigências de mercado relacionadas ao bem-estar animal ganham cada vez mais centralidade nas cadeias produtivas.

Conforme o presidente da Asemg, o seminário tem um papel estratégico ao promover atualização técnica, alinhamento com as normativas vigentes e troca de experiências entre especialistas e produtores. “É uma oportunidade de discutir temas atuais, como o uso racional de antimicrobianos e os desafios regulatórios, além de reforçar a importância da gestão baseada em dados e boas práticas. Eventos como esse contribuem diretamente para a evolução do setor e para a competitividade da suinocultura mineira”.

Evoluir na produção é essencial para atender às demanda dos mercados, que a cada dia, buscam por produtos gerados com boas práticas, respeito e qualidade. Além disso, é uma forma de agregar competitividade à produção e impulsionar a economia mineira.

O Estado é responsável pelo quarto maior plantel de suínos no Brasil, com mais de 339 mil matrizes. Por ano, são abatidas cerca de 6,2 milhões de cabeças, gerando 565 mil toneladas de carne. A atividade tem um Valor Bruto de Produção de R$ 6,36 bilhões.

“Tanto o mercado interno quanto o externo têm ampliado suas exigências em relação às práticas de produção. Grandes redes, indústrias e consumidores, tanto no Brasil como fora dele, estão mais atentos à origem dos alimentos e às condições de produção. O bem-estar animal deixou de ser um diferencial e passou a ser, cada vez mais, um requisito para acesso e permanência em determinados mercados”.

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