Agronegócio

Temporal devasta plantações e compromete escoamento da produção rural em Ubá

Propriedades às margens dos córregos Miragaia e Alfenas foram as que mais sofreram; 31 pontes foram danificadas e escoamento de produtos que restaram está comprometido
Temporal devasta plantações e compromete escoamento da produção rural em Ubá
Córrego Miragaia, que passa na propriedade de Luiz Fernando, encheu e derrubou todo o bananal | Foto: Divulgação / Faemg Senar Juiz de Fora

O produtor rural Luiz Fernando Ferreira da Silva, de Ubá, na Zona da Mata, está desolado. A chuva do dia 23 de fevereiro que atingiu a região encheu rapidamente o córrego Miragaia, que passa dentro da propriedade, e derrubou todo o bananal e outras plantações. Há dez dias, havia duas mil covas de banana e agora o cenário é entristecedor. “Encheu tudo, parecia um mar, e vinha forte como uma onda”, relembrou.

Em poucas horas, segundo a Prefeitura Municipal de Ubá, choveu cerca de 90 milímetros. As propriedades rurais às margens dos córregos Miragaia e Alfenas, que formam o rio Ubá, foram as que mais sofreram.

A técnica de campo Karina Soares, que atende Luiz Fernando pelo programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, também não escondeu a tristeza ao ver a situação do sítio: “Ele é um produtor muito empenhado. Em oito meses de trabalho conjunto, conseguimos mudar muita coisa. Quando cheguei aqui e vi que toda a adubação que fizemos, o estoque de nutrientes, tanto da banana, quanto do quiabo, jiló, foi tudo levado, é desolador”.

Ela voltou à propriedade nessa quarta-feira (4), juntamente com o gerente do Escritório Regional do Sistema Faemg Senar em Juiz de Fora, Emerson Simão, e o assistente de desenvolvimento rural do Sindicato de Produtores Rurais de Ubá, Everton Gonçalves. A força da água levou plantações, expôs raízes, destruiu pontes de concreto e interditou vias. De acordo com um levantamento da prefeitura, até a quarta-feira, 31 pontes tinham sido danificadas, sendo que 14 foram consideradas colapsadas. No total, 650 quilômetros de estradas deverão ser desobstruídas ou receber nova camada de cascalho.

Por causa das interdições, o escoamento da produção que foi possível aproveitar está comprometido. Em uma das pontes que foi levada pela chuva, moradores da região improvisaram uma pinguela, por onde só é possível passar a pé ou de moto. Os produtores, então, levam a colheita de carro até esse ponto do rio, atravessam com as caixas nas costas, e carregam a caminhonete do outro lado para levar até a cidade.

Mais estragos

O produtor rural Messias Leôncio é outro exemplo de quem ainda está contabilizando os prejuízos com o temporal. Ele estima que havia cerca de quatro hectares plantados e perdeu toda a plantação de abobrinhas, pepinos, berinjelas e pimentões, além de algumas máquinas agrícolas. O que colheu em outro pedaço de terra que não foi atingido, ele tem que atravessar com as caixas nas costas e conta com a ajuda de amigos.

“Graças a Deus, não teve casa destruída, só em duas aqui que a água entrou, e os animais também não foram levados, mas o que tinha de horta foi embora com a chuva”, lamentou Leôncio.

Um dos amigos que ajudavam na travessia dos produtos de Messias era o produtor de leite Bruno Romanholi. Na fazenda dele, a chuva destruiu cercas, motor de irrigação, além dos prejuízos causados pela falta de energia elétrica. O escoamento dos 450 litros tirados por dia, que antes era feito por caminhão, agora tem que ser distribuído em tambores, em pequenas carretas. “Ainda não tivemos tempo de calcular as perdas. Meu avô tem 80 anos e disse que nunca viu uma enchente como essa na região”, contou o rapaz.

Dificuldade de comercialização

Outra dificuldade enfrentada pelos produtores rurais da região de Ubá é a falta de local para a comercialização dos produtos. O galpão no centro da cidade onde funcionava a feira livre municipal foi coberto de lama. Refrigeradores e mobiliário foram perdidos, além da dificuldade de acesso.

Ainda na quarta-feira, funcionários da prefeitura faziam a limpeza com um caminhão-pipa, mas ainda não há previsão para retorno das atividades. Com as aulas nas escolas municipais e estaduais suspensas, as compras feitas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) também ficaram sem destino. Por isso, a técnica de campo Karina Soares faz um apelo à população: “Vamos valorizar os produtos da região, dar prioridade para comprar de produtores locais”.

O gerente regional Emerson Simão informou, ainda, que o Sistema Faemg Senar e os sindicatos rurais estão empenhados na representação dos produtores afetados junto ao poder público e às instituições de crédito. “Vamos auxiliar aqueles que têm financiamento em aberto para negociar as dívidas da melhor forma e também pedir a reconstrução das estruturas das pontes e dos acessos o mais rápido possível”, garantiu.

Em segundo momento, explica Simão, a intenção é fortalecer os produtores com cursos e o apoio do ATeG para levar mais técnica e tecnologia a fim de aumentar a produtividade, primordial para a manutenção dos produtores no campo. (Com informações da Faemg Senar / Juiz de Fora)

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