Agronegócio

Pesquisa da Ufla estuda bactéria capaz de reduzir em até 50% as perdas na silagem

As substâncias tóxicas podem afetar a produção, a saúde de animais e até de pessoas
Pesquisa da Ufla estuda bactéria capaz de reduzir em até 50% as perdas na silagem
Quando a silagem é mal vedada ou entra oxigênio após abertura do silo, pode ocorrer crescimento de fungos | Foto: Divulgação Ufla

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras (Ufla), no Sul de Minas, estuda o uso de uma cepa que pode reduzir em até 50% as perdas causadas por fungos na silagem. O estudo, iniciado em 2011, teve resultados de menor crescimento de microrganismos que podem contribuir para a perda de matéria seca.

“Quanto menos perda tem na silagem, melhor. Se você tiver 100 toneladas de um alimento, por exemplo, se a fermentação é ruim, produz muito CO2, cresce fungos, quando você tirar você perde 10%, então tira 90 toneladas. Tem uma média de perda de 8% a 10% e o uso dos inoculantes podem reduzir em até 50% das perdas”, afirmou a responsável pelo estudo e professora de Zootecnia, Carla Ávila.

A equipe testou diversos inoculantes durante o estudo, entre eles, um apresentou resultados promissores. A pesquisadora aponta que estas bactérias, além de produzirem o ácido lático, composto comum na silagem, também produz ácido acético, que tem função antifúngica, o que acaba inibindo a proliferação de fungos filamentosos, como é o caso de mofos e bolores.

A proliferação destes microrganismos pode trazer prejuízo financeiro ao produtor rural, riscos à saúde dos animais, que irão ingerir aqueles alimentos com micotoxinas, e das pessoas que venham a se alimentar de produtos vindos destes animais.

As substâncias tóxicas podem afetar o gado, trazendo problemas de saúde variados, como parar de comer, dificuldade de reprodução, desorientação e queda na imunidade, o que o deixaria exposto a outras doenças.

Já para os seres humanos, as micotoxinas também podem afetar a saúde, mas a professora destaca que estes casos são mais raros.

“Da mesma forma que ela é tóxica para o animal, ela é tóxica para a gente também, mas a diferença é que o animal come a mesma dieta todo dia e a gente, mesmo que coma um ou outro alimento com micotoxina, a gente não come todo dia. Para nós, ela pode vir pelo leite, já que ela acumula na cadeia e é um composto muito difícil de ser degradado. Pode dar os mesmos problemas de saúde para quem consome, principalmente crianças que consomem esse leite, mas não é algo recorrente”, afirma.

O estudo é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e conta com a gestão administrativa e financeira da Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC), fundação de apoio da Ufla.

O que é silagem e quando esses fungos crescem?

A silagem é um alimento fermentado, muito comum de ser feito com milho, mas também pode ser feito com capim ou mesmo cana-de-açúcar, sendo bem compactado e com ausência de oxigênio, que produz energia por fermentação.

“Quando a silagem é mal vedada ou entra oxigênio após a abertura do silo, pode ocorrer o crescimento de fungos. Dependendo da espécie, esses fungos produzem micotoxinas que prejudicam os animais e podem chegar aos alimentos de origem animal”, explica a professora Carla Ávila.

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