Agronegócio

Vinícola da Serra da Mantiqueira abre safra de vinhos com expectativas de produção 40% maior

Um dos diferenciais da Essenza, na Serra da Mantiqueira, é colheita das uvas no verão, manejo que se diferencia por antecipar etapas do calendário tradicional do setor, concentrado no inverno
Vinícola da Serra da Mantiqueira abre safra de vinhos com expectativas de produção 40% maior
Proprietário da Vinícola Essenza e produtor, Herbert Sales diz que colheita de verão, quando bem conduzida, entrega vinhos de grande expressão aromática, fruta vibrante e acidez naturalmente marcante | Foto: Divulgação Vinícola Essenza

Com vinhedos situados entre 1.200 e 1.910 metros de altitude, reconhecidos como os mais altos do Brasil, a Vinícola Essenza inicia, no final deste mês, a colheita de verão que dará origem à safra 2026 de vinhos. Neste ano, a expectativa é produzir 25 mil litros de vinhos premium, volume quase 40% superior ao registrado na safra passada e que resulta da consolidação dos vinhedos e do aumento da área produtiva.

Um dos diferenciais da produção, que acontece no Refúgio Tuiuva, em Maria da Fé, na Serra da Mantiqueira em Minas Gerais, é a colheita das uvas no verão, um manejo que se diferencia por antecipar etapas do calendário vitivinícola tradicional, concentrado no inverno. O proprietário da Vinícola Essenza e produtor, Herbert Sales, destaca que pela Fazenda Tuiuva estar a 1.910 metros de altitude é possível produzir vinhos sob uma condição extremamente singular no Brasil.

“A colheita de verão, quando bem conduzida, entrega vinhos de grande expressão aromática, fruta vibrante e acidez naturalmente marcante. A altitude elevada, aliada ao clima subtropical do Sudeste, proporciona dias entre 25 °C e 28 °C e noites que variam de 10 °C a 14 °C durante boa parte do ciclo vegetativo. Essa ampla amplitude térmica favorece uma maturação lenta e equilibrada, resultando, assim, em vinhos com frescor, precisão aromática e um equilíbrio entre elegância e complexidade, características muito evidentes nos rótulos Mantikir”, explicou.

Ainda segundo Sales, a colheita das uvas no verão tem como grande benefício a acidez natural preservada. Além disso, a maturação é mais lenta, especialmente em anos mais amenos, o que gera vinhos com maior definição de fruta e estrutura refinada. O manejo no verão também requer cuidados para enfrentar os desafios, como as variações climáticas.

“Em anos influenciados por El Niño ou La Niña, podemos ter maior índice pluviométrico até janeiro. Em anos mais chuvosos, optamos por direcionar variedades como Chardonnay e Pinot Noir para bases de espumantes, aproveitando a acidez e o perfil mais delicado da fruta. Já em anos de baixa pluviosidade, conseguimos elaborar Chardonnay tranquilo e Pinot Noir tinto com maior profundidade e estrutura. Importante ressaltar que nossos vinhedos são parcialmente cobertos, o que reduz significativamente o impacto do excesso de chuvas e permite maior controle sanitário e de maturação”, aponta.

Produção crescente

As expectativas para a safra 2026 de vinhos são positivas, isso pelo verão ter sido mais frio que a média histórica, o que permite a colheita de uvas de alta qualidade. “As temperaturas mais baixas favoreceram uma maturação mais lenta e uniforme. Consequentemente, teremos uma colheita mais tardia, com uvas de excelente sanidade e grande equilíbrio entre açúcar e acidez. A qualidade das uvas é excepcional” completa o produtor.

Quanto à produção das uvas, o crescimento projetado é de aproximadamente 70% em relação a 2025, ganho que virá da consolidação dos vinhedos e do aumento da área produtiva. A estimativa é produzir, pelo menos, 25 mil litros de vinho, superando os 18 mil registrados na safra anterior.

Conforme Sales, os vinhos brancos e rosés devem chegar ao mercado no início do verão de 2027. Os tintos sem estágio em barrica dependerão da evolução em garrafa e poderão ser disponibilizados conforme sua expressão ideal. Já os tintos com estágio em carvalho somente serão lançados após, no mínimo, 24 meses de maturação pós-engarrafamento e respeitando o compromisso da vinícola com a longevidade e refinamento.

A tendência é que a produção siga em crescimento nos próximos anos, reforça Sales: “A expectativa é de crescimento consistente em volume e, sobretudo, em refinamento técnico”.

Amantes do vinho poderão participar da colheita das uvas

Buscando integrar a produção e o turismo, a vinícola realizará, no dia 1º de março, a Vindima Essenza. O evento fechado e único permitirá ao público participar da colheita durante uma experiência imersiva, acompanhando etapas do processo de produção dos vinhos no campo e em outras áreas da vinícola.

“É a celebração de um ciclo completo da natureza. É o momento em que abrimos o quintal de nossa casa, em Santo Antônio do Pinhal, a 14 quilômetros de Maria da Fé, para compartilhar com convidados um dia de colheita, conexão com a terra e confraternização”, comemora Sales.

O evento receberá até 50 pessoas e podem participar adultos e jovens. O evento inclui colheita orientada, degustações, produtos de charcutaria própria e experiências de integração com a natureza. O investimento no primeiro lote é de R$ 397, com valores diferenciados para crianças e para aqueles que não consomem vinho. A vindima ocorre apenas uma vez ao ano, mas, nos demais períodos, são realizadas harmonizações, piqueniques e experiências sensoriais que mantêm viva a conexão entre vinho, natureza e hospitalidade.

“Mais do que um evento, a Vindima fortalece o posicionamento da cidade no enoturismo boutique, consolida a presença da vinícola na rota paulista do vinho e amplia o impacto social do projeto Chefinhos da Mantiqueira, que gera valor e oportunidade para jovens da região”, conclui o produtor.

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