Acordo Mercosul-UE abre oportunidades para Minas investir em mineração de maior valor agregado
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), assinado no sábado (17), cria potencial para realocação de investimentos em Minas Gerais e no Brasil para cadeias de maior valor agregado na mineração, conforme o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Felipe Ramon.
O fato é que, antes do pacto, algumas commodities minerais que saem do Brasil rumo aos países do bloco europeu já tinham a tarifa zerada, como o minério de ferro. No entanto, este não era o caso dos produtos imediatamente acima na cadeia de valor que, com o tratado, passarão a ter isenção, abrindo espaço para a agregação de valor no setor.
“Ao zerar os impostos também para esses produtos, torna-se mais atrativo investir em processos de maior valor agregado, como pelotização, beneficiamento, insumos para aço de menor emissão e outros”, salienta o especialista.
Segundo Ramon, o acordo de livre comércio ainda tende a tornar o Estado e o País mais atraentes para empresas do mundo todo, interessadas em acessar o mercado da UE.
Ele explica que, ao se instalarem e cumprirem regras de origem e requisitos regulatórios, as companhias poderão usar o Brasil como plataforma exportadora para a União Europeia. Isso amplia o potencial de atração de investimentos produtivos, transferência de tecnologia e adensamento das cadeias industriais ligadas à mineração e aos minerais críticos.
Oportunidade para minerais críticos e benefícios indiretos para outros produtos
Outro ponto observado por Ramon é que o pacto entre o Mercosul e a UE gera uma grande oportunidade para o segmento de minerais críticos, que também terão as tarifas zeradas.
O bloco europeu mantém uma lista de matérias-primas críticas, com realce para insumos ligados a baterias, eletrificação, energias renováveis, digital e defesa, e vê os países do bloco sul-americano como importantes fornecedores. Nesse contexto, Minas Gerais e o Brasil devem se beneficiar. O analista salienta que o Estado, por exemplo, se destaca em nióbio, lítio e grafite e enorme potencial para exploração e beneficiamento de terras-raras.
Embora a Comissão Europeia sublinhe ganhos de segurança sobretudo para os minerais críticos, o tratado também traz impactos positivos sobre o minério de ferro e os demais produtos exportados que já estão isentos de tarifas, segundo ele.
Ramon esclarece que esses materiais se beneficiam indiretamente por meio de procedimentos mais claros e previsíveis no comércio. Como exemplo, cita as regras aduaneiras mais padronizadas, menor risco de mudanças inesperadas, redução de retenções e atrasos em portos e canais de diálogo mais ágeis com autoridades europeias.
“Na prática, isso significa menos incerteza, menos custo logístico e maior previsibilidade para quem exporta, tornando o envio mais eficiente e atrativo, mesmo sem alteração de tarifa”, destaca o especialista.
Ainda conforme o analista de negócios internacionais da Fiemg, nos últimos cinco anos, as exportações da indústria extrativa de Minas Gerais à União Europeia respondera por cerca de 10% do total enviado ao bloco. Nesse recorte, 87,6% dos embarques do segmento foram de minério de ferro, 5,1% de minérios de cobre, 2,3% de grafite e 1,5% de nióbio.
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