Alta do diesel preocupa setor de transporte de cargas em Minas Gerais
O setor de transporte de cargas demonstra preocupação com os próximos meses após as distribuidoras anunciarem reajustes nos combustíveis em função do conflito no Oriente Médio. A situação fez com que postos em Minas Gerais passassem a relatar dificuldade para renovar estoques, sobretudo de diesel.
A avaliação é do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antônio Luís da Silva Junior. Segundo ele, os aumentos já começaram a aparecer nas bombas, ainda que de forma pontual.
“Os efeitos generalizados ainda não chegaram, mas o setor já está apreensivo com as previsões de alta”, afirmou. Na avaliação dele, parte dos reajustes observados até agora ocorre “de forma oportunista”. Apesar disso, ele pondera que a produção nacional de combustíveis ajuda a equilibrar a oferta no País.
Para o gerente executivo da MG Cargas, Zacarias Borges Júnior, a situação é preocupante porque o diesel representa uma parcela significativa dos custos das transportadoras. “O diesel representa cerca de 40%. Trabalhamos com frete de carga fracionada, então nossa margem é pequena. Um aumento faria com que tivéssemos de repassá-lo para o consumidor”, afirmou.
O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Lobato, relata que algumas transportadoras já começaram a sentir o impacto imediato dos reajustes. Segundo ele, há casos de compra de combustível com aumento de até R$ 0,70 por litro. “Eu já recebi combustível com R$ 0,70 de aumento, tanto na transportadora quanto na nossa rede de postos”, disse.
O diesel tem um peso expressivo na estrutura de custos do transporte rodoviário, podendo representar de 35% a 50% das despesas de uma operação, de acordo com Lobato. “Quando o diesel sobe, o impacto no frete é imediato. Estamos reformulando os preços e, a partir de segunda-feira, já devemos começar a aplicar reajustes”, disse.
O dirigente acrescenta que a federação prepara uma circular para orientar as transportadoras sobre o cenário e os ajustes necessários. “A recomendação é que cada empresa faça a recomposição de acordo com o peso do combustível em cada serviço”, concluiu.
Transporte de passageiros também é afetado
O aumento do preço do diesel também começa a impactar o transporte rodoviário de passageiros. A Empresa Gontijo de Transportes já percebe os efeitos das recentes oscilações no mercado internacional de combustíveis, provocadas pelo agravamento do conflito no Oriente Médio.
Segundo a companhia, aumentos no valor do diesel no momento da emissão das notas fiscais de compra têm sido registrados nas últimas semanas. Em alguns casos, o preço praticado no abastecimento chega a ser superior ao valor inicialmente informado no pedido.
De forma geral, a elevação observada pela empresa gira em torno de 5%. Em estados que possuem refinarias privatizadas, como a Bahia, o aumento chega a aproximadamente 15%.
Apesar da pressão nos custos operacionais, a empresa afirma que, por enquanto, tem optado por absorver os reajustes para evitar repasses imediatos aos passageiros.
Com mais de 80 anos de atuação, a Empresa Gontijo de Transportes possui atualmente uma frota de cerca de 1 mil ônibus, com presença em 18 estados e no Distrito Federal. A companhia transporta mais de 5 milhões de passageiros por ano em linhas interestaduais e também em operações intermunicipais em Minas Gerais, Bahia e Ceará.
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