Economia

Alta do diesel pressiona agro e transporte e pode elevar custo do frete em Minas

Setores não devem conseguir repassar os custos, estreitando margens que já estão bastante apertadas
Alta do diesel pressiona agro e transporte e pode elevar custo do frete em Minas
Com a alta, preço do diesel da Petrobras vendido às distribuidoras passará a custar R$ 3,65 por litro; no agro, impacto mais intenso deve ser sentido no segmento de grãos, que atravessa período de colheita e registra alto consumo do combustível | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alisson J. Silva

O aumento de 11,6% no preço de venda do diesel para as distribuidoras, anunciado pela Petrobras, deixa setores da economia apreensivos, especialmente o agronegócio e o transporte de cargas. A alta de R$ 0,38 foi recebida com surpresa, e os segmentos agora avaliam medidas para evitar o repasse de custos.

Com a alta, o diesel vendido às distribuidoras passará a custar R$ 3,65 por litro a partir deste sábado (14). Segundo a estatal, trata-se do primeiro reajuste no preço do combustível após mais de 400 dias sem elevação.

De acordo com o analista do agronegócio do Sistema Faemg Senar, Rafael Rocha, o avanço no custo certamente deve trazer impactos negativos diretos ao produtor rural, que também está sofrendo com racionamento ou falta do combustível. “Como tomador de preço, o produtor não consegue repassar os custos, o que acaba estreitando margens que já estão bastante apertadas”, destaca.

No curto prazo, o analista avalia que os impactos devem ser mais intensos em segmentos como o de grãos, que atravessa o período de colheita e registra elevado consumo de diesel nas propriedades rurais. A preocupação também se estende ao cultivo da cana-de-açúcar, que também está em fase de colheita, além da cadeia do leite, que demanda movimentação praticamente diária nas propriedades.

Com a alta do frete, o efeito tende a se espalhar por outros mercados, pressionando custos como os de ração e insumos, que acabam sendo absorvidos pelo produtor rural. Em contextos mais agravantes, o impacto pode chegar ao consumidor final, elevando a inflação, especialmente em grandes polos consumidores.

Aumento do diesel pode afetar frete e preocupa transportadores

Pouco tempo depois de celebrar as medidas do governo para conter a alta do diesel, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antônio Luís da Silva Junior, se diz surpreso com o anúncio da Petrobras. “Imaginávamos que as medidas adotadas eram para conter o preço. Pode até ter havido uma tentativa de minimizar o impacto, mas, no fim, haverá repasse de custos. Não tem como segurar”, avalia.

O setor, no entanto, mantém cautela e aguarda o efeito da retirada do PIS/Cofins do diesel. Dentre os segmentos do transporte mais impactados, o dirigente cita os prestadores de serviços para o agronegócio, que já estão com contratos fechados e precisarão arcar com os custos.

Quanto ao futuro, o dirigente afirma que ainda não é possível avaliar se o aumento impactará na previsão de crescimento anual do setor de transporte de cargas. O foco no momento deve se concentrar na racionalização do transporte, para evitar que motoristas paguem cada vez mais caro, especialmente em um contexto de turbulências no cenário internacional.

Vale destacar que o reajuste ocorre em um momento de alta no mercado global de petróleo. O barril do Brent, referência global negociada, tem sido impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e chegou a atingir US$ 102,73 no início da sessão desta sexta-feira (13), refletindo preocupações com possíveis interrupções na oferta global de petróleo.

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