Economia

Setor de aluguel de máquinas deve crescer 7% em 2025

Sindileq aponta mineração, construção civil e usinas de energia solar como responsáveis pelo bom resultado
Setor de aluguel de máquinas deve crescer 7% em 2025
A expansão na locação de máquinas para a construção civil foi limitada pela alta na taxa básica de juros, avalia o Sindileq/MG | Foto: Divulgação Construtora Mistral

A grande quantidade de obras e construções em Minas Gerais favoreceu o setor de locação de máquinas ao longo de 2025, que deve fechar com crescimento de próximo a 7%, em comparação com 2024, quando o faturamento chegou a R$ 13,6 bilhões. O resultado está dentro das expectativas, que ficaram entre 7% e 10% no ano.

Os números poderiam ser ainda melhores, caso a taxa básica de juros anual estivesse menor. Com o Comitê de Política Monetária (Copom), tendo definido, em junho deste ano, a taxa em 15% ao ano, o investimentos no setor acabou sendo freado, é o que aponta o Sindicato das Empresas Locadoras de Equipamentos, Máquinas, Ferramentas e Serviços Afins de Minas Gerais (Sindileq/MG).

“O ano de 2025 consolidou-se como um período de expansão resiliente. Diferente de anos de “boom“, foi um crescimento sustentado por nichos específicos”, avalia o gerente executivo do Sindileq, Allan Rodrigues, destacando a importância da mineração e construção civil, responsáveis por cerca de 60% a 70% do mercado, e também o setor de energia solar.

A descaracterização de barragens, processo que busca eliminar o risco de colapso de estruturas de mineração, e novas frentes para exploração de minérios foram pontos fortes para locação de maquinário no Estado, assim como os parques de energia solar no Norte de Minas, onde ficam as maiores usinas do País, com destaque para Janaúba e para o Vale do Jequitinhonha.

No Brasil, a estimativa é que o setor chegue a um faturamento anual próximo a R$ 70 bilhões, valor próximo ao de 2025.

Rodrigues pontua que os números só não foram melhores devido ao valor alto da taxa básica de juros, o que afeta o setor de construção civil, um dos grandes clientes para locação. “Apesar dos juros ainda em patamares elevados que seguraram alguns lançamentos imobiliários, as obras de infraestrutura urbana e logística compensaram a balança”, afirma.

Entre os pontos de maior dificuldade para o setor neste ano, ainda de acordo com o gerente executivo, estão o alto custo do crédito, que afetou a renovação da frota de máquinas, e a falta de mão de obra qualificada para operação de novos equipamentos. Já que, ao longo do ano novas tecnologias passaram a ganhar espaço no mercado, principalmente equipamentos com menor emissão de carbono (ESG) e maior adoção de telemetria .

Otimismo para 2026

A possibilidade de queda na taxa Selic, pressão por metas de descarbonização e maior investimento em tecnologias limpas e o ano eleitoral devem impulsionar o setor em 2026, principalmente no segundo semestre, aponta Allan Rodrigues.

“É ano eleitoral. Historicamente, há uma aceleração na entrega de obras públicas e infraestrutura estadual e federal, o que gera uma demanda imediata por máquinas e ferramentas”, argumenta.

Já em relação a possível retração da taxa básica de juros, a expectativa é que a queda facilite que empresários do ramo financiem novos equipamentos, via do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), inclusive máquinas pesadas.

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