ANM não constata risco iminente em mina da Vale em Mariana

Autarquia federal realizou uma vistoria nas pilhas de estéril do complexo Fábrica Nova

15 de novembro de 2023 às 0h18

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Crédito: Reuters/Washington Alves/

Uma vistoria de campo realizada pela Agência Nacional de Mineração (ANM), em parceria com a Defesa Civil, não constatou anomalia aparente que apresente risco iminente na mina de Fábrica Nova, da Vale, em Mariana (região Central). Os trabalhos de fiscalização ocorreram nas pilhas de estéril PDE Permanente 1, PDE Permanente 2 e PDE União Vertente Santa Rita, interditadas na sexta-feira (10) em virtude da não comprovação de estabilidade das estruturas por parte da mineradora. 

Conforme a autarquia federal, a Vale apresentou, na ocasião, uma análise preliminar que aponta ausência de ameaça imediata de rompimento da pilha ou mesmo do dique a jusante. Em nota, o órgão também informou que, diante das condições atuais do reservatório e de contorno conservadoras do estudo, técnicos da mineradora entendem que os impactos de uma eventual ruptura, considerando essa condição de falha, são irrelevantes na área posterior à estrutura. 

Em coletiva nesta terça-feira (14), o prefeito de Mariana, Celso Cota Neto (MDB), reiterou que a segurança da população de Santa Rita Durão, distrito que seria atingido em caso de rompimento das estruturas, está garantida. Segundo ele, seria preciso evacuar a cidade caso a mina estivesse com nível 2 de emergência, o que está longe de ser o caso. Um dia antes, a Vale emitiu nota afirmando que não existe perigo iminente e reiterando que não é preciso remover as famílias.

Cerca de 2.500 pessoas vivem hoje em Santa Rita Durão, sendo 144 na Zona de Autossalvamento (ZAS) das estruturas, região que seria a primeira atingida na ocorrência de ruptura. O subsecretário de Defesa Civil de Mariana, Welbert Stopa, explicou que o total de 295 residentes na ZAS, que consta no Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), inclui os trabalhadores flutuantes da mina – todos que podem acessá-la em algum momento. 

Vale se compromete a esvaziar dique; município exige que permaneça vazio no período chuvoso 

Embora o dique da mina tenha declaração de estabilidade, o subsecretário revelou que a Vale se comprometeu a esvaziá-lo, e já iniciou o bombeamento da água. A previsão, segundo Stopa, é que a estrutura esteja totalmente vazia em dez dias. Ainda conforme ele, Mariana fez imposições à mineradora. “Uma das nossas exigências, como município, é que durante todo o período de chuva esse dique permaneça vazio e que o empilhamento seja monitorado 24 horas por dia.”

Impactos da mineração são crescentes em Mariana, diz prefeito 

Na entrevista coletiva, o prefeito de Mariana também afirmou que os impactos da mineração são crescentes no município, que busca diminuí-los com projetos estruturadores e pactuando com as mineradoras suas responsabilidades. Neto detalha que em torno de 5 mil pessoas estão morando em ocupações irregulares e 30% da população está dependendo de políticas sociais de atenção básica, quase chegando a extrema miséria. Segundo ele, esses índices vêm aumentando.

O chefe do Executivo municipal explicou que, desde que a tragédia da Samarco, há oito anos, o perfil de Mariana está mudando. Isso porque, logo após o desastre, veio o desemprego e depois, com a criação da Fundação Renova, o boom do mercado de trabalho, sendo que a região não tinha mão de obra para absorver toda a demanda. Dessa forma, vários trabalhadores que vieram de outras regiões permanecem atualmente na cidade, que não estava preparada para recebê-los.

Neto ainda disse que toda a arrecadação do município está comprometida com sua despesa fixa. “Quando assumimos a prefeitura há 90 dias, estávamos com um déficit de R$ 60 milhões, com mais R$ 30 milhões previstos, ou seja, R$ 90 milhões faltando quatro meses para encerrar o ano. E quando começamos a ver a origem desse déficit, parte veio da demanda inesperada sobre tudo que vem acontecendo em Mariana a partir do dia 5 de novembro de 2015”, enfatizou o prefeito.

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