Royalties da mineração crescem 7,6% em Minas e atingem segundo maior valor da história
A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) em Minas Gerais somou R$ 3,6 bilhões em 2025, o segundo maior valor já registrado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), atrás somente de 2021. Na comparação com o ano imediatamente anterior, os royalties recolhidos no Estado aumentaram 7,6%.
No Brasil, foram arrecadados R$ 7,9 bilhões no ano passado, o que também representa a segunda maior marca. Em relação a 2024, o recolhimento nacional subiu 6,7%.
Pelo quarto ano consecutivo, Minas Gerais liderou a arrecadação da Cfem entre as unidades da Federação. O Pará, que ocupou o topo por três anos seguidos a partir de 2019, ocupou novamente a segunda posição, com R$ 3,1 bilhões de royalties recolhidos.
O recolhimento histórico no Estado foi impulsionado, principalmente, pelo minério de ferro. A receita cresceu 4,8% no confronto anual, para R$ 3,1 bilhões, valor que corresponde a 86,5% do total arrecadado.
Outro produto que contribuiu fortemente para o resultado foi o ouro. O metal respondeu por 7,5% da arrecadação mineira da Cfem, com avanço de 59,2%, para R$ 268,7 milhões.
O que explica o desempenho das duas substâncias
A consultora econômica da Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil), Luciana Mourão, explica que, no caso do minério de ferro, houve um aumento no volume exportado por Minas Gerais. No ano passado, os embarques somaram 183,7 milhões de toneladas, enquanto, em 2024, totalizaram 172 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Segundo ela, esse movimento de expansão ocorreu em um contexto de queda nos preços internacionais do minério de ferro, cujo impacto sobre a arrecadação foi parcialmente mitigado pela valorização do dólar. Nesse sentido, boletim econômico divulgado pela entidade aponta que a cotação média do produto com teor de 62% retraiu 7,6% entre um ano e outro, ao passo que a moeda norte-americana encerrou o ano com alta de 3,7%.
Em relação ao ouro, Luciana Mourão esclarece que houve crescimento simultâneo do volume exportado e do preço. A consultora destaca que isso aconteceu, porque, em tempos de incerteza global, o metal nobre funciona como um ativo de refúgio.
Ela afirma que a cotação média do ouro avançou quase 44% em 2025 na comparação com 2024. Já os embarques de ouro do Estado subiram de 30,9 mil toneladas para 38,5 mil toneladas, de acordo com os números do governo federal.
Luciana Mourão ressalta que a análise se apoia nos resultados do comércio exterior e nas condições de mercado, já que os números oficiais de produção ainda não foram publicados.
“Os dados disponíveis indicam que o aumento da arrecadação da Cfem em 2025 decorre da combinação entre maior volume de minério de ferro, efeito cambial positivo que amenizou a queda do preço do minério de ferro e oscilações de exportação e preço do ouro, permanecendo a confirmação definitiva condicionada à divulgação dos dados oficiais de produção pela ANM [Agência Nacional de Mineração]”, reitera.
“Cabe destacar que, ao final de janeiro, a Vale deverá divulgar os dados de produção referentes ao quarto trimestre de 2025, o que trará informações adicionais relevantes para a avaliação do desempenho da mineração no País”, salienta, dizendo que o desempenho da companhia será fundamental para qualificar a análise sobre o comportamento da arrecadação dos royalties, permitindo verificar, com maior precisão, a relação entre produção física, volume comercializado e efeitos de preço e câmbio observados em 2025.
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