Arrecadação da Cfem vai subir com maior fiscalização

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Arrecadação da Cfem vai subir com maior fiscalização
O recolhimento da Cfem em Minas Gerais chegou a R$ 3,279 bilhões entre janeiro e setembro | Crédito: Patrick Grosner/DIVULGAÇÃO

A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), que vem apresentando recordes no último ano, pode ser ainda maior em 2022. É que além da influência dos tradicionais fatores como câmbio, preço do minério de ferro e demanda internacional – neste momento favoráveis – um acordo de cooperação técnica entre a Agência Nacional de Mineração (ANM) e cidades mineradoras promete fortalecer o sistema de acompanhamento de lavra e fiscalização, minimizando a sonegação fiscal no recolhimento dos royalties da mineração.

A Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig) é a responsável pela construção da iniciativa entre a agência e as cidades. De acordo com o consultor de Relações Institucionais e Econômicas da entidade, Waldir Salvador, nas próximas semanas, pelo menos 15 municípios mineradores do Estado já estarão oficialmente aptos a contribuir com seus fiscais, mas o resultado efetivo deverá ser realmente sentido a partir do ano que vem.

“Não podemos garantir que haverá aumento nominal da receita, porque os fatores são voláteis. Mas, pensando na estabilidade do câmbio, do preço e da demanda, podemos estimar o dobro da arrecadação“, diz.

De janeiro a setembro, apenas em Minas Gerais, o recolhimento dos royalties da mineração chegou a R$ 3,279 bilhões. O valor superou em 131% os R$ 1,418 bilhão recolhidos no Estado nos primeiros nove meses do ano passado. Além disso, o valor já é praticamente igual aos R$ 2,364 bilhões recolhidos pelo Estado em todo o ano de 2020. De toda maneira, o Pará manteve a liderança nacional no acumulado do ano até setembro, com R$ 3,7 bilhões.

Além disso, o estado do Norte do País também saiu na frente no quesito fiscalização. Apesar da atuação pioneira da Amig, no mês passado, o governo do Pará e a ANM assinaram um acordo nos mesmos moldes do previsto para Minas Gerais. Neste sentido, Salvador ressaltou que a entidade já procurou o governo de Minas em vistas de obter apoio para as fiscalizações.

“Os responsáveis disseram que, no momento, o Estado (de Minas) não tem condições de oferecer recursos humanos para nos auxiliar. Porém, acreditamos que a estrutura pode ser bastante útil para o cruzamento de dados e informações, em função de sua expertise e peso institucional. Apesar da importância, Minas Gerais subestimou e tratou de mineração com desprezo por muitos anos, inclusive no que se refere à fiscalização. Por isso também perdeu o protagonismo para o Pará – ao nosso ver, de maneira definitiva“, diz.

Acordo ANM e Amig para fiscalização

Ao celebrar os acordos com as prefeituras, a ANM vai ganhar um reforço considerável. Apenas com os profissionais indicados pelos municípios associados à Amig, a estrutura de fiscalização aumentará mais de 900%. Serão 63 fiscais das cidades que se juntarão aos 7 fiscais da agência que atuam na fiscalização da Cfem de todo o País.

Assim, conforme Salvador, acredita-se que será mais fácil cercar atividades clandestinas, minimizando a sonegação fiscal no recolhimento dos royalties. “Existem inúmeras empresas de todos os portes que nunca receberam nenhuma fiscalização geológica e nem financeira. Inclusive, nossa intenção a partir do acordo de cooperação técnica é iniciar a parceria com as fiscalizações financeiras e partir para a geológica, para que os municípios possam participar das decisões acerca de pequenas lavras. Estamos estruturando esse avanço”, adianta.

Números da Cfem

Quando considerado apenas o nono mês deste ano, o recolhimento da Cfem em Minas Gerais foi de R$ 504,7 milhões. Em igual época do exercício passado o valor havia sido de R$ 202 milhões. Alta de 149%. Já a arrecadação do Pará no último mês foi de R$ 601,6 milhões.

O município mineiro que mais contribuiu para a arrecadação dos royalties da mineração em setembro foi Itabirito, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Ao todo foram R$ 68 milhões. Já no acumulado dos nove primeiros meses do ano destacou-se Conceição do Mato Dentro (Médio Espinhaço), com R$ 509 milhões.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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