Hubs regionais alavancam a aviação em Minas Gerais em 2026
A aviação em Minas Gerais iniciou 2026 com sinais de fôlego, especialmente nos hubs regionais, com forte impacto sazonal, aliado a indicadores socioeconômicos positivos. Em janeiro, a operação do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport), em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ultrapassou 1 milhão de passageiros, enquanto Uberlândia, no Triângulo Mineiro apresentou o crescimento mais expressivo do Estado. Os dados constam em relatório divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Principal porta de entrada na aviação em Minas Gerais, o BH Airport apresentou estabilidade, transportando pouco mais de 1 milhão de passageiros no último mês. Os números são semelhantes aos registrados, tanto no mês anterior (dezembro), quanto em janeiro de 2025.
Apesar da estabilidade, a composição das companhias aéreas segue em transformação. Destaque no Estado, a Azul mantém a liderança isolada do hub, embora tenha apresentado estabilidade nas operações frente a janeiro do ano passado. Enquanto isso, a operadora Gol registrou o maior avanço, com alta de 10% na movimentação. Já a Latam, consolidou um crescimento de 6,8% no mesmo período.
Apesar da expressividade da RMBH, o destaque do primeiro mês do ano foi a ampliação no número de passageiros do aeroporto de Uberlândia. O terminal transportou 103 mil pessoas, um avanço de 14,3% frente aos 90,1 mil de dezembro de 2025 e crescimento de 17,4% em relação a janeiro de 2025 (87,7 mil).
Em contrapartida, Montes Claros, no Norte de Minas Gerais apresentou um cenário de estabilidade mensal (24,9 mil versus 24,4 mil em dezembro). Apesar disso, o terminal ainda busca recuperar o fôlego do início de 2025, quando transportou 30 mil passageiros, recuando 17% neste ano.
Em janeiro de 2026, a rota entre São Paulo e Confins se consolidou entre as seis mais populares do Brasil, somando 144,6 mil passageiros. Também em destaque, a rota Guarulhos-Confins transportou 124,8 mil pessoas, reforçando a importância de conexão com São Paulo para o setor aéreo mineiro.
O economista Guilherme Almeida comenta que o aumento no fluxo de viagens durante os períodos de férias tem sido interpretado como um sinal positivo da saúde financeira das famílias brasileiras, mas o indicador exige cautela. Segundo ele, embora o movimento sazonal de férias escolares seja um termômetro importante, ele funciona com ressalvas, uma vez que o consumo nesse período é voltado ao lazer e pode não refletir a sustentabilidade econômica a longo prazo.
Apesar disso, o crescimento pode refletir o aumento da renda ou o maior uso do crédito pela população. “Vivemos um mercado de trabalho acessível, com massa salarial em nível recorde e taxa de desemprego em patamares mínimos. Isso permite que novas famílias entrem nesse mercado de consumo e passem a realizar viagens pelo modal aéreo. O setor utiliza modalidades de financiamento e parcelamento para atrair o público, e o crédito tem contribuído diretamente no fomento dessa movimentação”, explica Almeida.
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