Aluguel em BH acumula alta de 10,5% e chega a R$ 48,28 por metro quadrado
Belo Horizonte registrou variações positivas nos preços de aluguéis em janeiro e fevereiro deste ano. O acumulado do período está em 0,55% — sendo 0,34% em janeiro e 0,21% em fevereiro. Os dados dos dois primeiros meses de 2026, apurados pelo Índice FipeZAP de Locação Residencial, reforçam uma tendência de alta nos valores das locações, que nos últimos 12 meses chegou a 10,52%. Em valores monetários, o aluguel na capital mineira atingiu R$ 48,28 por metro quadrado.
Mesmo com a subida de preços, Belo Horizonte ainda tem aluguéis mais baratos do que em outras capitais brasileiras. Entre as 22 cidades pesquisadas, a capital mineira supera apenas oito em valor de locação: Goiânia (R$ 42,52/m²), Fortaleza (R$ 38,02/m²), Natal (R$ 41,86/m²), Aracaju (R$ 31,94/m²), Campo Grande (R$ 29,39/m²), Teresina (R$ 29,51/m²), Cuiabá (R$ 47,89/m²) e Porto Alegre (R$ 46,82/m²).
As altas consecutivas podem ter como principal fator um desempenho robusto do mercado de trabalho. Essa é a avaliação da economista do Grupo OLX, Paula Reis.
“A variação acumulada em 12 meses do aluguel de Belo Horizonte está acima da média das cidades monitoradas desde maio de 2025. Uma possível explicação é o desempenho do mercado de trabalho, que também apresenta indicadores acima da média nacional. A taxa de desemprego de Belo Horizonte no 4º trimestre foi de 4,8%, abaixo da taxa nacional de 5,1% (Pnad Contínua/IBGE). O crescimento da ocupação, da força de trabalho e da renda real tende a ampliar a demanda por locação, especialmente em um cenário desafiador no mercado de compra e venda”, explica a economista, que acrescenta uma ressalva.
“A tendência de queda nos reajustes do aluguel observada em Belo Horizonte desde abril de 2023 indica que a diferença entre a variação do preço de locação e a inflação deve diminuir no médio prazo — até porque a renda real dos proprietários de imóveis perdida durante a pandemia e na crise de 2015 já foi recuperada”, completa.
Valorização e reajustes
Nos últimos 12 meses, BH registrou uma valorização mais expressiva nos imóveis do tipo quitinete e de um dormitório, com crescimento de 15,19% nos preços. Entre os bairros que mais se valorizaram estão Gutierrez (43%), Funcionários (19%) e Buritis (18%).
“Belo Horizonte se enquadra no cenário mais geral do Brasil, em que a tendência atual é que os reajustes do aluguel sejam superiores à inflação, porém cada vez menores. Mesmo com a projeção de aumento da taxa de desemprego (Boletim Focus), o reajuste do salário mínimo e as mudanças no Imposto de Renda devem elevar a renda disponível da população que ganha até R$ 7.350, tornando possível a absorção de reajustes acima do IPCA”. comenta.
Paula Reis explica também que o aumento da demanda por locação de imóveis pode fazer o preço ter quedas, facilitando a vida de quem busca um local para residir.
Some-se a isso o aumento da demanda por locação, conforme reportado pelo IBGE: entre 2016 e 2024, o número de domicílios alugados no Brasil cresceu 45%. Os aumentos tendem a ser decrescentes, pois de fevereiro de 2020 até o fim do ano passado, o aluguel acumulou uma variação de 77%, enquanto a inflação no período foi de 39% — o que significa que o preço de locação registrou um aumento real considerável, e a parcela que ocupa no orçamento familiar já deve estar se aproximando do limite”, analisa Paula Reis.
A economista aponta ainda um fator de contenção para o futuro: o acesso ao crédito imobiliário via Minha Casa, Minha Vida, que pode pressionar os preços para baixo ao direcionar a renda de famílias para a aquisição da casa própria, em vez do aluguel.
“A existência de linhas de crédito imobiliário voltadas a famílias de renda mais baixa, como o Minha Casa, Minha Vida — que praticam taxas menores do que as do Sistema Financeiro Habitacional, mesmo com a Selic a 15% —, representa um contrapeso importante. A habitação popular conta com R$ 125 bilhões do FGTS garantidos para 2026, e a tendência é que as parcelas fiquem ainda mais acessíveis no segundo semestre, após a queda esperada na taxa básica de juros. Quanto mais caro o aluguel, mais atrativa pode se tornar a prestação do financiamento imobiliário”, conclui.
Ouça a rádio de Minas