Endividamento das famílias de BH subiu 1,2% em fevereiro, diz Fecomércio
Fevereiro foi um mês de aperto financeiro para as famílias da capital mineira. Um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), analisada pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) e aplicada em Belo Horizonte, aponta que o nível de endividamento das famílias em fevereiro subiu 1,2%, atingindo 90,2% da população. Já o percentual de famílias com contas em atraso recuou 0,1 ponto percentual em fevereiro, chegando a 64,6%.
O volume maior de endividados está nas famílias com renda abaixo de 10 salários mínimos. Essas pessoas superam as de renda mais alta em relação à inadimplência, com 67% nessa condição.
Porém, o acúmulo de dívidas não atinge somente as classes econômicas menos favorecidas. Cerca de 50,3% dos moradores da capital mineira com renda acima de 10 salários mínimos estão com algum compromisso financeiro em atraso. Considerando apenas as famílias endividadas, 71,6% admitem que não conseguiram honrar seus compromissos e estão com dívidas em atraso.
“A gente tem que pensar, primeiro, que os juros estão muito altos. Juros altos implicam em crédito muito caro. Assim, a tendência é que a economia desacelere e muitas famílias sintam o impacto desse aumento do custo do crédito até mesmo para pagar as suas contas já existentes”, explica a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins.
Sem capacidade
Outro dado preocupante do levantamento diz respeito à capacidade de arcar com os compromissos de curto prazo. Cerca de 27% das famílias da Capital não têm condições de pagar as dívidas em atraso — valor inferior ao observado em janeiro (28,6%), mas ainda alto. Esse índice é maior em famílias com renda igual ou inferior a dez salários mínimos (29%) em comparação com as de maior renda (15,9%). Considerando apenas as famílias que já possuem contas em atraso, 41,7% dizem que não terão condições de honrar os compromissos financeiros no próximo mês.
Cartão, o vilão (de novo)
De acordo com a pesquisa da CNC, 40,5% dos entrevistados se consideravam pouco endividados no segundo mês do ano, leve aumento em relação a janeiro, quando os que se diziam pouco endividados somavam 39%.
O cartão de crédito seguiu, em fevereiro, como o principal compromisso financeiro para 95,6% das famílias belo-horizontinas, com redução de 0,7 ponto percentual na comparação com janeiro. As famílias com renda igual ou superior a 10 salários mínimos são as que mais concentram dívidas no cartão: 98,8%.
Devo, não nego
Cerca de 47,3% das pessoas que participaram da pesquisa dizem que suas contas ultrapassam 90 dias de vencidas. A Peic de fevereiro também mostra que as dívidas estão atrasadas, em média, há 62,2 dias. Para 73,2% das famílias, os compromissos financeiros se estendem por período igual ou superior a 90 dias. O tempo médio de comprometimento da renda é de 8,3 meses.
Alto comprometimento
Em 85,6% dos casos, as dívidas comprometem mais de 10% da renda familiar, sendo que em 29% delas as dívidas envolvem mais de 50% do orçamento mensal. Em média, as dívidas comprometem 33,2% do orçamento do mês. O avanço do endividamento em fevereiro reflete, em grande parte, o uso do crédito pelas famílias para manter o consumo e reorganizar o orçamento após as despesas concentradas no início do ano.
“Apesar do leve recuo na inadimplência, o patamar ainda é elevado e revela que muitas famílias seguem com dificuldades para equilibrar as finanças. O alto comprometimento da renda com dívidas, aliado ao uso predominante do cartão de crédito, indica que parte dos consumidores têm recorrido ao parcelamento como forma de administrar o fluxo de pagamentos”, diz.
Ela observa que esse movimento ajuda a sustentar o consumo no curto prazo. “Mas também exige cautela, principalmente para não ocorrer o atraso no pagamento dos compromissos financeiros, o que pode limitar o acesso ao crédito e ao consumo”, descreve a economista da Fecomércio, Gabriela Martins.
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