Economia

Confiança do consumidor de BH tem queda em março; sensação é de piora na economia

Confiança do morador da Capital é menor neste mês de março e fatores como inadimplência, cenário de incertezas ajudam a criar o pessimismo
Confiança do consumidor de BH tem queda em março; sensação é de piora na economia
Créditos: REUTERS/Pilar Olivares

O Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH) de março caiu 1,98% em relação a fevereiro, aponta a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). O índice marcou 41,69 pontos em uma escala que varia de 0 a 100. O ICC-BH acumula alta de 0,85% em 2026.

A situação econômica do País teve a maior variação negativa (-8,52%) no levantamento, enquanto o componente que mais subiu foi a situação financeira da família em relação ao passado (2,02%). Isso significa que a percepção de piora da economia é mais acentuada entre os consumidores de Belo Horizonte neste momento. Nesse cenário, o estudo ainda indica que as mulheres têm menor intenção de compra do que os homens: 72,66% e 82,30%, respectivamente.

Percepção de piora

Os segmentos que ainda concentram maior confiança e intenção de compra são “vestuário e calçados”, “veículos” e “informática/telefonia”. Eles lideram as intenções de compra, representando, respectivamente, 19,57%, 13,91% e 8,70% das escolhas dos entrevistados.

Segundo o gerente de pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes, o dia a dia tem demonstrado que os números oficiais da economia – como inflação baixa e estabilidade econômica – não refletem a realidade percebida por muitas pessoas.

“A gente lida com uma população que tem essa percepção diferente. Você vê a cesta básica um pouco mais cara, com o preço da gasolina influindo nas despesas. Aquela cesta básica apresenta uma variação diferente da inflação geral, que engloba muitos outros produtos. Então, a percepção para essas pessoas é que a inflação neste mês está pior do que estava, e isso gera a percepção de piora na situação econômica do País”, explica.

Excesso de pessimismo

Antunes afirma que a construção de um cenário caótico por parte da população – em que a narrativa predominante é de falta de rumo econômico do País – acentua o pessimismo geral, gerando um efeito de dramaticidade maior do que o real.

“É algo bem volátil, o humor das pessoas em relação à economia. Alguns acontecimentos podem nem se realizar como esperado, mas já criaram uma expectativa muito grande. Exemplo disso é a expectativa de alta expressiva no preço do combustível. O diesel até refletiu isso, mas a gasolina em si não subiu tanto quanto se esperava. O cenário foi desenhado de forma mais dramática do que foi de fato. Só que essa dramaticidade, às vezes, se instala no íntimo das pessoas. Mesmo que as coisas não se realizem de verdade, a percepção é sentida e transparece em pesquisas como esta”, comenta.

Fator inadimplência

Mesmo que a percepção geral da economia não esteja boa e o cenário tenha sido projetado como pior do que é, há um fator concreto que vai além das sensações: a inadimplência. Com índices elevados de endividamento – 46% dos mineiros têm alguma dívida vencida, segundo o Serasa -, o consumidor não vislumbra uma melhora no curto prazo.

“Quando começa a pensar nas compras que precisa fazer, ele percebe que já está endividado. Isso já gera uma preocupação. É complicado: em janeiro há muitas contas a pagar – quem tem IPVA, IPTU, aumento na conta de água – e já se antevê para abril e maio o reajuste na conta de luz. O volume de compromissos financeiros pode gerar um efeito nocivo, uma bola de neve que vai comprometendo o orçamento continuamente”, afirma o gerente de pesquisa da Fundação Ipead.

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